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domingo, 24 de outubro de 2010

Lamentavelmente a pesquisa confirma o que escrevi abaixo

Voto das mulheres ainda é calcanhar de aquiles para Dilma


UIRÁ MACHADO
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

Assim como aconteceu com Lula nas cinco eleições presidenciais que disputou, as mulheres são o calcanhar de aquiles de Dilma Rousseff.

De acordo com cálculo do demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE, a candidata do PT teria sido eleita no primeiro turno não fosse o "gap" de gênero --a diferença de votos entre homens e mulheres.

Com base em 45 pesquisas eleitorais realizadas neste ano por Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus, Alves acompanhou a diferença de intenção de voto entre o eleitorado masculino e o feminino ao longo da disputa.

De acordo com ele, a média das quatro últimas pesquisas realizadas antes do primeiro turno davam a Dilma 51% entre os homens e 43% entre as mulheres.

A diferença de oito pontos percentuais, diz o demógrafo, representou cerca de 4,2 milhões de votos.

Como Dilma teve 47,6 milhões de votos e precisava de pelo menos 50,85 milhões para ser eleita (considerando o mesmo universo de 101,6 milhões de votos válidos), "pode-se afirmar que foram as mulheres que jogaram as eleições para o segundo turno", diz Alves.

Apesar dos esforços da campanha, que direcionou ações específicas para seduzir o público feminino, o "gap" de gênero que valeu no primeiro turno permaneceu após o dia 3 de outubro.

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha (dia 21), Dilma tem 55% de intenção de voto entre os homens e 45% entre as mulheres.

A diferença, de dez pontos percentuais, é maior --em termos proporcionais e absolutos-- que entre os eleitores de José Serra (PSDB). O tucano tem 38% entre as homens e 41% entre as mulheres.

ESTRATÉGIA

Para Alves, tudo leva a crer que, se Dilma ganhar, "será uma vitória liderada pelos homens", e, se Serra vencer, "liderada pelas mulheres". Trata-se de uma "guerra invertida entre os sexos".

O PT conhece de longa data a resistência do eleitorado feminino. Coordenadores da campanha de Dilma ouvidos pela Folha avaliam que está nas mulheres adultas, principalmente acima de 40 anos, o maior desafio da candidata neste segundo turno.

Segundo eles, essas eleitoras têm uma resistência maior a mudanças.

E, mesmo com o discurso de que Dilma representaria a "continuidade" do governo Lula, o simples fato de ser ela a primeira candidata à Presidência no país representaria um risco.

Por isso, na tentativa de formular um discurso para atrair o voto feminino, desde o início da campanha o partido exaltou características próprias do universo das mulheres, como o fato de Dilma ser "mãe" e, mais recentemente, "avó" --algo que desagradou a feministas.

Ainda focada nessa fatia do eleitorado, a campanha adotou como bordão a tese de que ela cuidará do povo com amor maternal. A estratégia será repetida à exaustão até o fim da campanha.

É que, na avaliação do PT, esse estrato do eleitorado --mulheres acima dos 40 anos que não declaram voto na petista-- será o último a decidir por um dos dois candidatos. E são os indecisos o grupo que pode alterar o rumo da eleição.

Para Alves, do IBGE, a estratégia da campanha petista deu certo na pretensão de associar a Lula o voto em Dilma. No entanto, diz ele, o preço foi a perda da autonomia feminina da candidata. A maioria vota nela não porque ela é mulher, mas "porque é a sucessora indicada pelo popular presidente".

Ele considera "simplistas" explicações como as de que mulheres são mais conservadoras ou a de "mulher vota em mulher": "o gênero opera no campo da cultura, e não no terreno da natureza". 

Fonte: Folha.com

sábado, 23 de outubro de 2010

As mulheres ainda não




Na terça-feira, dia 19 de outubro, fui ao comício encontrar com a presidenciável Dilma, com o Presidente Lula, com o candidato ao governo do Estado de Goiás, Iris Rezende e com inúmeras lideranças. Na volta retornei de carona com a Jornalista Roberta e uma estudante de jornalismo, ambas funcionárias de um partido da base do candidato ao governo do estado. Nós três concordamos que as mulheres são maioria em relação aos homens, que lutam para se eleger aos vários cargos, mas inda não lograram êxito como maioria. Pelo contrário, nessas eleições diminuiu o número de mulheres eleitas para cargos executivos e legislativos.
Percebo que ações morais graves cometidas pelos homens não repercutem tanto quanto quaisquer deslizes ou riscos de erros cometidos pelas mulheres. Por qualquer coisa se faz muito barulho como nos tempos medievais para condenar as mulheres à fogueira.
Concordamos, contudo, que com a eleição de Dilma como Presidenta do Brasil as mulheres serão enormemente reconhecidas e valorizadas. Como diz nossa candidata: assim como um operário eleito Presidente do Brasil não pode errar muito menos as mulheres poderão errar. Com Dilma à frente dos acertos no governo nós mulheres seremos muito valorizadas em nossas qualidades de lutas, de realizações e de enormes capacidades em tudo o que fizermos.
Por isso também nós mulheres temos mais uma razão para derrubar o mito de que mulher não vota em mulher. Lutar pela eleição de Dilma Rousseff é alavancar o projeto de desenvolvimento mais justo para o Brasil, onde haverá amplo e confortável espaço para nós, mulheres e para o povo que luta por mais qualidade de vida e por justiça social.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mulheres preferem Dilma nas eleições

No dia 3 de outubro a maioria das brasileiras votará em Dilma Rousseff  para presidenta. É o que aponta a mais recente pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem. De acordo com o levantamento, a candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando é a preferida entre 46,9% das eleitoras.

Na medida em que Dilma ficou mais conhecida, mais mulheres se posicionaram ao seu lado - conforme mostra o gráfico que ilustra este post. Algo semelhante aconteceu com o candidato José Serra, só que no caminho inverso. Com a campanha na rua, o tucano caiu a cada pesquisa e perdeu a simpatia das eleitoras.

Em setembro no ano passado, Serra liderava a corrida presidencial entre o eleitorado feminino, com 38,9%. Um ano depois, ele está com 27,1%, ou seja: quase 20 pontos atrás de Dilma. Nossa candidata também tem ampla vantagem em todos os níveis de escolaridade, regiões brasileiras, faixas etárias e salariais.

O Instituto entrevistou dois mil eleitores, em 136 municípios brasileiros de 24 estados, nas cinco regiões brasileiras, no período de 10 a 12 de setembro.

Fonte: blog Mulheres com Dilma.

Por Dilma, pelas mulheres

São 52% da população brasileira. Ocupam mais de 50% das vagas em universidades e quase 45% do mercado de trabalho. Representam maioria dos eleitores desde o ano 2000. Estes números revelam a presença da mulher na sociedade brasileira, entretanto, elas estão alijadas dos espaços de poder e a discriminação ainda é um problema para as mulheres no mercado de trabalho. Por isso a possibilidade de eleger a primeira mulher presidente do país traz grandes expectativas à luta pela igualdade de gênero.

As mulheres são maioria no Brasil. Além disso, trabalham mais e começam a participar mais da vida pública do que em períodos anteriores. Mas as diferenças de salário, a dificuldade de acesso aos espaços de poder, a dupla jornada, a violência contra a mulher e a cultura machista, ainda muito presente em nossa sociedade, são fatores que distanciam a mulher de exercer um papel mais protagonista na sociedade e, muitas vezes, em suas próprias vidas.

Nos últimos 25 anos, cresceu em 70% o número de mulheres economicamente ativas no Brasil. Apesar desse feito, estudo publicado pela Confederação Internacional dos Sindicatos (ICFTU, em inglês) revela que as trabalhadoras brasileiras são as que sofrem com maior diferença salarial em relação aos homens no mundo todo, com 34% de variação entre as remunerações de ambos os gêneros. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009 (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas IBGE) revela ainda que houve uma melhoria sensível na renda das mulheres. Em 2004, o salário médio das trabalhadoras era de R$ 613. Em 2009 esse valor chegou a R$ 786, mas ficou bem abaixo do salário dos homens brasileiros, que recebem, em média, R$ 1.171.

As diferenças salariais têm a ver com posições que os gêneros ocupam no mercado e também os ramos de atuação. Entretanto, mulheres com a mesma função de homens, no mesmo ramo de atuação, recebem menos que eles.

A análise da tabela a seguir permite observar que as maiores porcentagens de ocupação por mulheres estão em níveis hierárquicos mais baixos que os homens.

* Ranking Salarial – Posicionamento da Média Geral (Salários) por ordem de grandeza, do 1º (Presidência) até 12º (Estagiário).

Quanto ao ramo de atividade econômica, as profissões consideradas femininas possuem menor remuneração média, como é o caso da área da Saúde e Hospitalar, um dos ramos de atividade econômica que menos remuneram (12º no ranking de salários), e onde as mulheres correspondem a 66% da mão-de-obra ocupada.


Preconceito velado

Os homens, em geral, têm mais empregos ao longo da carreira e trabalham mais horas, especialmente porque as mulheres têm de cumprir jornada dupla: após a empresa, exercem diversas atividades em casa. Apesar de não chamar de preconceito, Fernando Mantovani, diretor da empresa de recrutamento Robert Half, reconhece que a disponibilidade também pesa contra na hora da escolha de um candidato. As empresas têm mais receio em contratar uma mulher com filhos pequenos do que um homem, exemplifica.

Violência que vem de casa

Além das disparidades no mercado de trabalho e da dupla jornada imposta às mulheres, elas ainda são vítimas de violência. As agressões contra mulheres ocorrem a cada 15 segundos e os companheiros são responsáveis por quase 70% dos assassinatos do sexo feminino.

O Manifesto da União Brasileira de Mulheres (UBM) defende que o Estado meta a sua colher para combater a degradante situação de violência contra as mulheres no Brasil: “Queremos um Brasil onde o fantasma da violência doméstica e sexual seja combatido com instrumentos públicos. Na defesa da vida e da dignidade da mulher é preciso Delegacias Especializadas, Assessorias Jurídicas, conquistas a serem garantidas e ampliadas”.

Rei da selva

Assim, cresce a participação de mulheres na vida pública, inclusive para lutar por instrumentos como esses. Mas aquelas que se aventuram a entrar na chamada vida pública, pela via da política, enfrentam uma verdadeira selva dominada pelos homens.

A República foi instaurada no Brasil em 1889. As mulheres, entretanto, só conquistaram o direito a voto em 1932. A primeira candidata à Presidência da República concorreu no pleito de 1989 e apenas neste ano de 2010 há a possibilidade real de ser eleita uma mulher presidente do Brasil, já que a candidata Dilma Rousseff (coligação Para o Brasil seguir Mudando) possui diferença de cerca de 30 pontos em relação ao segundo candidato nas pesquisas eleitorais mais recentes. Vale ressaltar que a soma das intenções de votos nas duas candidaturas de mulheres nas eleições 2010 (Dilma Rousseff , PT e Marina Silva, PV) superam 50% dos votos válidos, sendo, portanto, maior que a soma das intenções de voto dos 8 homens que se candidatam à Presidência nesse mesmo processo eleitoral (Américo de Souza, PSL; Ivan Pinheiro, PCB; José Maria Eymael, PSCD; José Serra, PSDB; Levy Fidelix, PRTB; Mario de Oliveira, PTdoB; Oscar Silva, PHS; Plínio de Arruda Sampaio, PSOL; Rui Costa Pimenta, PCO e Zé Maria, PSTU). Trata-se de uma marca histórica.

Em que pese essa magnífica expectativa, é forçoso perceber que, ainda, apenas 12% das Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais são formadas por mulheres. E esse número cai para 8,9% quando falamos das representantes no Congresso Nacional.

Dilma, a futura presidente

O manifesto da União Brasileira de Mulheres (UBM) em apoio à candidatura Dilma Rousseff consegue sintetizar, em um dos trechos, o significado desta eleição para os movimentos que lutam pela emancipação feminina: “Para nós, eleger Dilma presidente significa renovar essas esperanças na certeza de que podemos conquistar ainda mais. Com ousadia para inovar e para aprofundar as mudanças no Brasil”.


Fonte: Da redação, Luana Bonone

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

AS MULHERES DESEJAM MESMO ABORTAR?




Convivo diária e semanalmente com muitas mulheres. Reúno-me com um grupo que debate problemas femininos enfrentados por verdadeiras heroínas. Na associação de moradores de meu bairro convivo com a maioria de mulheres que compõe a direção da entidade. Como educadora participo de empreendimentos de alto interesse das mulheres, inclusive idosas. Nos ônibus que me transportam ao trabalho e a tantos cantos de Goiânia vejo e ouço mulheres.


Em todas as situações percebo o debate em torno do aborto. Todos se posicionam com respeito ao que diz a candidata Dilma e com o que pensam os “anti-abortistas”. Reconheço a enorme confusão entre as necessidades femininas, o que disse Dilma e as acusações que lhe fazem certos grupos.


Mas a verdade é que Dilma disse que nenhuma mulher deseja abortar. Correto. Somos geradoras e cuidadoras da vida sempre. Nossos corpos e almas se unem inteiros em favor da vida, principalmente em se tratando de gravidez, da geração de um novo ser humano. Não é contra isso que Dilma fala.


O grande equívoco ou até maldade é colocar no discurso de nossa futura Presidenta o que ela não disse e não pensa. Nesse sentido há pessoas e grupos que pedem a seus seguidores que não votem nela e, com isso, incitam ao golpe e à ilegalidade.


Precisamos, sob coordenação do governo, levantar o debate sobre o aborto, sim. Todas as mulheres,  afirmo sem medo de errar,  todas as mulheres que desejam filhos abominam o aborto. Mas há situações extremamente desumanas que abalam e  ameaçam as vidas das mulheres. Estupros, inclusive por parentes, por marginais etc que geram gravidezes indesejadas produzem imenso mal-estar nas mulheres e nas suas famílias. Via de regra acabam por se socorrer de “serviços” marginais e anti-higiênicos, altamente atentatórios à saúde e à vida. Muitas morrem ou são mutiladas. Os geralmente solteirões nunca mencionam esse problema em suas críticas dogmáticas e raivosas. Baseiam-se em preconceitos religiosos sem vida e sem prática.


Sou mulher cristã e convivo com cristãos que não defendem o aborto pelo aborto. Eu também não o defendo nessa condição. Defendo a vida e as mulheres. Defendo que devam contar com todas as condições de vida em favor da vida, inclusive contra a violência que as obriga a gravidezes indesejadas  e arriscadas. E defendo que se deve debater essa questão sim e não nos intimidarmos com surradas ameaças de excomunhão dos tempos da Idade Média. Respeito católicos, evangélicos, espíritas e outros que não aceitam o divórcio. Mas não aceito o autoritarismo de pessoas dentre esses princípios que desejam no grito impor suas opiniões como verdades absolutas.


A verdade absoluta nasce da liberdade democrática da decisão da maioria, com o auxílio da ciência.

sábado, 7 de agosto de 2010

Mesmo com curso superior, mulheres recebem 72% a menos que homens

 

A contratação de mulheres está em alta no mercado de trabalho. Elas são as preferidas das empresas, principalmente quando o nível de exigência implica em ter grau de instrução superior. O motivo, no entanto, não está relacionado ao bom desempenho na atividade. As mulheres, simplesmente, custam menos que os homens.

O salário médio de trabalhadoras com curso superior completo é de R$ 2.919,99. Já o ganho do sexo oposto, na mesma condição, chega a R$ 5.019,49 — uma diferença de 72%. Nessa situação, uma empresa pode contratar três mulheres em vez de dois homens e ainda ter troco.

“As empresas estão contratando mais mulheres porque é mais barato”, reconheceu o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ao divulgar na quinta-feira (5) os dados de 2009 da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) — a mais completa radiografia do mercado de trabalho brasileiro. Mas isso não significa que todas as mulheres, mesmo comprovadamente competentes, estão em condições salariais inferiores.

Há, ainda que minoritariamente, empresas remunerando suas funcionárias bem acima da média de renda masculina. É o caso da Primavera Enxovais, que conta com dez lojas no Distrito Federal. Segundo a proprietária da rede, Sueli Ribeiro, todas as 60 vendedoras são mulheres.

“Em muitos casos, elas ganham mais que os maridos”, disse. Segundo Sueli, a preferência pelas moças leva em consideração a própria cultura feminina, que está mais alinhada com o tipo de produto que vende. “Desde criança elas já brincavam de casinha. É natural terem bom conhecimento de decoração. E a resposta dos clientes é muito boa quando são atendidos por elas”, ressaltou.

Disparidades

Como um retrato do país no mercado de trabalho, a Rais comprova a desigualdade. Homens em geral ganham mais do que as mulheres, independentemente do nível de escolaridade. Quanto mais baixa a escolaridade, mais baixo é o salário e mais alta é a rotatividade no emprego.

A cor também é determinante. Mesmo entre as pessoas do mesmo sexo, os negros ganham menos que os brancos. A maior disparidade ocorre entre os rendimentos médios de negros e brancos com nível superior completo. Os salários médios dos negros representam 70,68% do rendimento dos brancos.

Outro dado relevante é a disparidade dos rendimento. Pela Rais, é no Distrito Federal onde se paga o maior salário médio do país. O brasiliense ganha R$ 3.445,06 — três vezes mais que a renda de R$ 1.130,31, na Paraíba, e mais do que o dobro da média nacional, de R$ 1.595,22. O motivo, segundo o ministro do Trabalho, é o funcionalismo público da capital do país, que puxa a rendimento para cima.

Mas há um boa notícia. A Rais mostrou que vem crescendo a participação no mercado de trabalhadores mais velhos, portanto mais experientes. Embora em números absolutos eles estejam longe de ser o maior número, o crescimento de vagas foi superior a 7% (quase o dobro da média) entre os que têm mais de 50 anos no mercado de trabalho. Só no ano passado, 372.783 pessoas de 50 a 64 anos acharam emprego.

A Rais provou ainda que poucos jovens vêm conseguindo ingressar no mercado de trabalho. Eles podem estar optando por permanecer mais tempo na escola — mas também são vítimas do preconceito das empresas porque não possuem experiência e, no geral, têm baixa qualificação.

Pior ano

Pelos dados da Rais, o Brasil criou, no ano passado, 1,766 milhão de empregos — só entre os empregos formais do setor privado foram 995 mil. Trata-se de uma variação de 4,48% em relação ao estoque de trabalhadores existentes em 2008. Foi o pior resultado desde 2003, bem inferior a 2007, quando o mercado de trabalho (incluindo o setor público) foi capaz de gerar 2,452 milhões postos com carteira assinada.

Lupi explicou que o resultado menor de 2009 decorreu da crise econômica mundial, que começou no final de 2008 e se estendeu para o ano seguinte. Com os dados do ano passado, o número de trabalhadores com vínculos formais no país atingiu 41,207 milhões. Cerca de 7,4 milhões de empresas declararam a Rais, das quais 3,224 milhões com empregados e 4,209 milhões sem empregados.

O setor de serviços é o maior empregador do país. Ao final de 2009 contava com 13,235 milhões de funcionários. Em segundo lugar vem a administração pública, com 8,763 milhões de servidores e, em terceiro, o comércio com 7,692 milhões de empregados.

Fonte: Da Redação, com informações do Correio Braziliense

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Denúncias de violência contra mulher crescem 112%


A Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 registrou um aumento de 112% no número de denúncias de janeiro a junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2009. No primeiro semestre de 2010, foram 343.063 atendimentos - contra 161.774 nos seis primeiros meses de 2009.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (03) pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, vinculada à Presidência da República.

Segundo o levantamento, as ameaças foram verificadas em 8.913 situações. Este é o segundo crime mais relatado pelas cidadãs que acessam o serviço, precedido apenas pela lesão corporal. Somadas, ameaças e lesões corporais representam cerca de 70% dos registros.

Das pessoas que entraram em contato com o disque-denúncia, 14,7% disseram que a violência sofrida era exercida por ex-namorado ou ex-companheiro, 57,9% estão casadas ou em união estável e, em 72,1% dos casos, as mulheres relatam que vivem junto com o agressor.

Cerca de 39,6% declararam que sofrem violência desde o início da relação; 38% relataram que o tempo de vida conjugal é acima de 10 anos; e 57% sofrem violência diariamente. Em 50,3% dos casos, as mulheres afirmam correr risco de morte.

O percentual de mulheres que declaram não depender financeiramente do agressor é de 69,7%. Os números mostram ainda que 68,1% dos filhos presenciam a violência e 16,2% sofrem violência junto com a mãe.

Distrito Federal lidera atendimentos

Quando considerada a quantidade de atendimentos relativos à população feminina de cada estado, o Distrito Federal foi o que mais entrou em contato com a central, com 267 atendimentos para cada 50 mil mulheres. Em segundo lugar aparece o Tocantins, com 245, e, em terceiro, o Pará, com 237.

Em números absolutos, São Paulo lidera o ranking com 47.107 atendimentos, seguido pela Bahia, com 32.358. Em terceiro lugar aparece o Rio de Janeiro, com 25.274 dos registros. A procura pelo Ligue 180 é espontânea.

Perfil das agressões

Dos 62.301 relatos de violência, 36.059 correspondem à violência física, 16.071 à violência psicológica, 7.597 à violência moral, 826 à violência patrimonial, e 1.280 à violência sexual - além de 229 situações de tráfico e 239 casos de cárcere privado.

A maioria das mulheres que liga para a central tem entre 25 e 50 anos (67,3%) e com nível fundamental (48,3%) de escolaridade. Já a maior parte dos agressores têm entre 20 e 45 anos (73,4%) e com nível fundamental (55,3%) de escolaridade.

Da Redação com agências

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