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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mulheres que fizeram história serão homenageadas


Encarregada pela organização das atividades culturais da posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, a Fundação Cultural Palmares preparou uma festa em que as homenageadas serão as mulheres brasileiras. As cantoras Elba Ramalho, Zélia Duncan, Gabi Amarantos, Fernanda Takai e Mart’nália vão ser as responsáveis por comandar o evento na Praça dos Três Poderes, em frente ao Congresso, onde Dilma será empossada na condição de primeira mulher à frente do Executivo.

Um grande palco, chamado “Centro-Oeste”, vai ser erguido para receber as cinco cantoras, que serão as principais atrações da noite da posse, no dia 1º. O show Cinco ritmos do Brasil está previsto para começar às 18h30, depois da transmissão do cargo e do discurso que Dilma fará ao povo, no parlatório do Palácio do Planalto.


Quem chegar à Esplanada pela manhã poderá curtir uma extensa programação cultural, que inclui apresentações de bandas regionais, a partir das 10h. Quatro tendas serão erguidas no gramado central da Esplanada, acima do Congresso, e cada uma representará uma região do país: a Tenda 1 vai ser comandada por quatro bandas do Norte; na Tenda 2, músicas típicas do Sul; na Tenda 3, do Sudeste; e na Tenda 4, do Nordeste.

As apresentações vão ocorrer até as 14h, quando a programação cultural será interrompida para que o público, estimado em até 70 mil pessoas, assista à posse. A Presidência da República informou que vai erguer telões ao longo da Esplanada e da Praça dos Três Poderes para que as milhares de pessoas possam acompanhar todos os passos previstos, desde a posse no plenário da Câmara até a transmissão da faixa presidencial.

De acordo com o coordenador de produção da festa, André Luiz Mendes, a programação voltada para a mulher é uma forma de enaltecer o fato de o Brasil estar dando posse à primeira presidente mulher. O Arena Brasil, como foi batizado o evento, não terá apenas apresentações musicais. Segundo Mendes, artesãos irão expor seus trabalhos, atores encenarão cenas de teatro de rua e haverá programação infantil.

Painéis

A organização também preparou uma homenagem a 36 figuras femininas que marcaram a história do Brasil. Serão erguidos painéis com a foto das homenageadas e um breve resumo de suas biografias. Entre as heroínas estão Anita Garibaldi, Chica da Silva, Maria Lenk, Irmã Dulce e Zilda Arns.

A estrutura para a festa, estimada em R$ 1,5 milhão, começará a ser montada na terça-feira. Hoje, será realizado na Esplanada o último ensaio. Homens e mulheres das Forças Armadas e policiais irão participar do treinamento, no qual todo o percurso que Dilma fará em 1º de janeiro será simulado. A comitiva presidencial percorrerá 2km. Depois de uma missa ecumênica na Catedral, Dilma seguirá em um Rolls Royce até o Congresso, onde será empossada. De lá, a presidente irá ao Palácio do Planalto, onde as solenidades serão encerradas.

Tenda dos lenços

O PT pretende montar seis tendas na Esplanada para saudar a população que irá prestigiar a posse. A ideia do partido é distribuir cerca de 50 mil lenços com referência à petista, além de água. “A expectativa é de que 50 mil pessoas participem da festa. Receberemos pessoas de todo o Brasil. Os diretórios regionais estão organizando a ida dos militantes até a capital para participar da festa”, afirma Jorge Coelho, secretário nacional de mobilização do PT. Quem preferir usar camisas, broches ou até levar bandeiras do PT em 1º de janeiro, poderá ir à loja do partido, no Setor Comercial Sul, comprar os itens por preços entre R$ 3 e R$ 10.

Na Esplanada, os populares verão a presidente por volta das 14h, quando ela embarcar no Rolls Royce presidencial da Catedral rumo ao Congresso. O trecho tem pouco mais de um quilômetro. Depois das solenidades, Dilma e o vice eleito, Michel Temer, serão saudados por 21 tiros de canhão na área externa do parlamento, onde novamente os civis poderão assistir. Por fim, Dilma seguirá em carro aberto, desta vez ao Palácio do Planalto, onde fará o pronunciamento à nação no parlatório, em frente à Praça dos Três Poderes.

Último ensaio

A equipe responsável pelo planejamento de posse realizou neste domingo (26) a última simulação da cerimônia. Homens e mulheres das Forças Armadas e policiais participam do treinamento, no qual todo o percurso que Dilma fará em 1º de janeiro foi simulado.

A última simulação para a posse foi feita no última dia 19. Na ocasião, a diretora da secretaria de Relações Públicas do Senado, Juliana Rebelo, foi escolhida na hora para fazer o papel da presidente eleita.

Presença de autoridades


O chefe do cerimonial da posse de Dilma Rousseff , embaixador George Prata, afirmou que até o momento 30 autoridades internacionais, sendo 12 chefes de Estado, estão confirmados para a cerimônia de posse.

"Estão confirmados os chefes de Estado da Bolívia, Venezuela, Colômbia, do Peru, Uruguai, Paraguai, Suriname e Chile. A delegação da Argentina ainda não confirmou. Também devem vir o primeiro ministro da Coreia do Sul, o príncipe das Astúrias e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton", disse.

Depois da cerimônia de posse, Dilma recepcionará chefes de Estado, ministros e outras autoridades em um coquetel no Itamaraty. A previsão é que o evento termine às 21h.

Fonte: Correio Braziliense

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dilma promete repetir encontros anuais com catadores e garante políticas de financiamento


São Paulo – Os encontros da população de rua e dos catadores de materiais recicláveis com a presidenta eleita, Dilma Rousseff, estão garantidos pelos próximos anos. O compromisso foi feito por ela durante a comemoração do Natal dos catadores e moradores de rua, na capital paulista, nesta quinta-feira (23). Desde que assumiu, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontra-se com esse público no dia 23 de dezembro de cada ano.

Mostrando-se à vontade, Dilma chegou a cantar durante uma das apresentações culturais que antecederam os discursos de lideranças e autoridades. A canção foi um samba, composto especialmente para o evento. Durante os pronunciamentos de moradores de rua, ela chegou a se emocionar pelo menos três vezes.

“É época de Natal e temos de fazer duas coisas: a primeira é olhar o mundo e pensar o que fizemos nesse período para transformá-lo e o que devemos fazer para continuar essa transformação”, sugeriu. Em seu discurso, Dilma prometeu ações para tornar os catadores em cidadãos e fazer da "profissão de catador será um instrumento de trabalho". Ela assegurou ainda uma política permanente de financiamento bancário, para equiparar catadores a outras profissões. "Uma política permanente de financiamento, apoio, assistência, integração aos serviços de educação e saúde", afirmou.

"Não descansarei enquanto não conseguir dar as melhores condições possíveis para que esse processo avance e os catadores, cada vez mais, saiam do lixão, organizem cooperativas, tenham seus caminhões, suas máquinas”, disse Dilma.

Dilma ainda garantiu que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida continuará em seu governo. “É para essa população que se dirige o Minha Casa Minha Vida”, disse. “A cidadania é algo que é direito de cada um”, completou.

Fonte: Rede Brasil Atual

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Chaga social: 767 mulheres são agredidas por dia no Brasil


Embora se possa comemorar, com razão, o largo conhecimento alcançado pela Lei Maria da Penha, que pune a violência contra a mulher, há ainda muito a fazer neste campo onde a situação continua calamitosa, como mostram dados do PNAD divulgados hoje pelo IBGE.

A pesquisa relata que cerca de 2,5 milhões de pessoas com mais de 10 anos de idade sofreram algum tipo de agressão em 2009. Destas, 40% eram mulheres (cerca de 1.081.000). O que chama a atenção é que um terço delas foram agredidas por parentes, companheiros ou ex, que foram responsáveis por mais de um quarto do total de agressões (25,9% ou cerca de 280 mil).

Isso significa que a cada dois minutos ocorre uma agressão contra a mulher no Brasil (são, em média, 767 por dia, 32 por hora ou uma a cada 30 segundos). Outro dado reforça a natureza doméstica da agressão contra a mulher: mais de um quarto delas (25,4%) ocorrem dentro da própria residência.

Mais da metade dos agredidos não procurou ajuda policial para se defender e certamente a maioria destes, pode-se imaginar, são mulheres. Um em cada cinco porque não considerou importante; um número maior (um em cada três) por temer represálias ou não querer envolver a polícia.

O dado a comemorar foi revelado por outro estudo, divulgado pelo IPEA na semana passada. Ele mostra um avanço na consciência sobre os direitos da mulher e, principalmente, acentua que este não é um problema de natureza privada, mas social. A imensa maioria (80%) das pessoas entrevistadas pelo estudo “Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre igualdade de gênero 2010” considerou que a violência contra a mulher é de responsabilidade da sociedade como um todo, contra apenas 14% para os quais o problema é isolado. Mais: um número superior a 90% dos entrevistados considera que essas agressões “devem ser investigadas pelo Estado mesmo que a mulher não queira”, destacou a técnica Maria Aparecida Abreu, no lançamento do estudo.

Além de ser uma questão pública, social, ela é também um problema civilizatório. O grau do avanço de uma sociedade, já disseram alguns pensadores avançados desde o início do século 19, é indicado pela igualdade entre homens e mulheres. E a violência contra a mulher, cujos protagonistas são principalmente homens que julgam ter direitos especiais, e definitivos, sobre elas, é o principal fator de atraso neste ponto. Parceiros que tratam suas companheiras como objetos de consumo, satisfação pessoal, como bens arroláveis entre as demais propriedades que controlam, e usam a força física ou a violência verbal para impor privilégios. Acionam o medo, a intimidação, a humilhação, para manter formas de relacionamento desigual, e submeter o outro (a outra, no caso) a seus caprichos, vontade, idiossincrasias e fantasias.

Os dados do PNAD mostram que ainda há muito a fazer na conquista da igualdade e no combate contra a opressão da mulher, e o estudo do IPEA mostra que há disposição para isso. É preciso unir estas duas pontas –necessidade e disposição – para avançar na luta contra esta verdadeira chaga social que é a opressão da mulher. 
 
Fonte: Vermelho - Editorial.

VIOLÊNCIAS CONTRA A MULHER


 O hediondo crime que envolve o goleiro Bruno – a mulher, após ser assassinada, teve o corpo destroçado e devorado por cães, segundo denúncia – é a ponta do iceberg de um problema recorrente: a agressão masculina à mulher.

 Entre 1997 e 2007, segundo o Mapa da Violência no Brasil/2010, 41.532 mulheres foram assassinadas no país. Um índice de 4,2 vítimas por cada grupo de 100 mil habitantes, bem acima da média internacional. O Espírito Santo apresenta o quadro mais grave: 10,3 assassinatos de mulheres/100 mil.

 O Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo identifica como assassinos maridos, ex-maridos e namorados inconformados com o fim da relação. Ao forte componente de misoginia (aversão à mulher), acresce-se a prepotência machista de quem se julga dono da parceira e, portanto, senhor absoluto sobre o destino dela.

A Central de Atendimento à Mulher (telefone 180) recebeu, nos primeiros cinco meses deste ano, 95% mais denúncias do que no mesmo período do ano passado. Mais de 50 mil mulheres denunciaram agressões verbais e físicas. A maioria é de mulheres negras, casadas, com idade entre 20 e 45 anos e nível médio de escolaridade. Os agressores são, em maioria, homens com idade entre 20 e 55 anos e nível médio de escolaridade.

 Acredita-se que o aumento de denúncias se deve à Lei Maria da Penha, sancionada em 2006 pelo presidente Lula, e que aumenta o rigor da punição aos agressores. Apesar desse avanço, tudo indica que muitos lares brasileiros são verdadeiras casas dos horrores. A mulher é humilhada, destratada, surrada, por vezes vive em regime de encarceramento virtual e de semiescravidão no trabalho doméstico. Sem contar os casos de pedofilia e agressão sexual de crianças e adolescentes por parte do próprio pai.

 A violência contra a mulher decorre de vários fatores, a começar pela omissão das próprias vítimas que, dependentes emocional e financeiramente do agressor, ou em nome da preservação do núcleo familiar, ficam caladas ou dominadas pelo pavor frente aos efeitos de uma denúncia. Soma-se a isso a impunidade. Eliza Zamudio, ex-namorada do goleiro Bruno, teria recorrido à Delegacia de Defesa da Mulher, sem que sua queixa tivesse sido levada a sério. Raramente o poder público assegura proteção à vítima e é ágil na punição ao agressor.

 A violência contra a mulher não ocorre apenas nas relações interpessoais. Ela é generalizada pela cultura mercantilizada em que vivemos. Basta observar a multiplicidade de anúncios televisivos que fazem  da mulher isca pornográfica de consumo.

 Pare diante de uma banca de revistas e confira a diversidade do “açougue” fotográfico! Preste atenção no papéis femininos em programas humorísticos. Ora, se a mulher é reduzida às suas nádegas e atributos físicos, tratada como “gata” ou “avião”, exposta como mero objeto de uso masculino, como esperar que seja respeitada?

 Nossas escolas, de uns anos para cá, introduziram no currículo aulas que abordam o tema da sexualidade. Em geral se restringem a noções de higiene corporal para se evitar doenças sexualmente transmissíveis. Não tratam do afeto, do amor, da alteridade entre parceiros, da família como projeto de vida, da irredutível dignidade do outro, incluídos os/as homossexuais.

 Nas famílias, ainda há pais que conservam o tabu de não falar de sexo e afeto com os filhos ou julgam melhor o extremo oposto, o “liberou geral”, a total falta de limites, o que favorece a erotização precoce de crianças e a promiscuidade de adolescentes, agravada pelos casos de gravidez inesperada e indesejada.

 Onde andam os movimentos de mulheres? Onde a indignação frente às várias formas de violência contra elas?

 Os clubes esportivos deveriam impor a seus atletas, como fazem empresas e denominações religiosas, um código de ética. Talvez assim a fama repentina e o dinheiro excessivo não virassem a cabeça de ídolos de pés de barro...



Frei Betto é escritor, autor de “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros. www.freibetto.org – twitter:@freibetto


  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Heleieth Saffiotti, a brasileira que iniciou o movimento feminista, morreu!

Brasil perde Heleieth Saffiotti,
Faleceu nesta segunda-feira, 13, aos 76 anos, a professora Heleieth Iara Bongiovanni Saffiotti. O sepultamento aconteceu na tarde desta terça-feira, no Cemitério do Morumbi, em São Paulo. Heleieth foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil e uma das primeiras acadêmicas brasileiras a publicar livros e artigos sobre a condição das mulheres.



Heleieth, entre Che, Marx e Lenin: em defesa das mulheres

 
Heleieth Saffioti (foto) é conhecida internacionalmente como uma das mais importantes pesquisadoras feministas do país. “Seus estudos sobre a situação das mulheres no mercado de trabalho no Brasil, desde a década de 1960, são pioneiros na análise sobre as desigualdades entre mulheres e homens, as diversas formas de opressão e exploração no trabalho”, escreveu em nota Tatau Godinho, militante do movimento de mulheres e integrante do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo.

Autora de mais de 12 livros, Heleieth era professora aposentada de Sociologia da Unesp e do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP. Nos últimos anos dedicou-se também ao estudo sobre a violência sexista, acompanhando de perto o problema no Brasil, com abordagem teórica sobre a violência de gênero e análise sobre as políticas públicas nessa área.

“Heleith buscou compreender os mecanismos profundos da exploração das mulheres no capitalismo, insistindo com veemência na relação estrutural entre capitalismo, patriarcado e racismo. Sem abrir mão de suas convicções e com sólida formação acadêmica, Heleieth renovava em suas análises as referências teóricas marxistas e a elaboração dos estudos feministas. Como ela sempre dizia, o nó que amarra classe, gênero e raça constroi as dinâmicas de desigualdade na sociedade contemporânea”, colocou ainda Tatau Godinho.

Com informações da Fundação Perseu Abramo

domingo, 12 de dezembro de 2010

Justiça ou banditismo machista?




Nos últimos meses muito se comentou sobre o Irã,  falou-se muito de  Sakineh Ashtiani, mulher que foi  enforcada pelo crime de adultério.  Temos consciência de que cada país tem sua própria cultura e crença. Mas parabéns à ONU que tentou se opor a  essa barbaridade em pleno século 21. Nunca ouviu-se falar que um homem fosse condenado a pena de  morte por traição e adultério. 

Pensando aqui mesmo na nossa cultura latina e bem brasileira quantas mulheres conhecemos que não foram apedrejadas com pedras reais mas sim pela hostilidade, maledicência e o machismo.  Este mal  não é só dos homens mas impregna as próprias mulheres quando se trata de algum deslize de alguma mulher, sem nenhuma prova e sem ninguém conhecer o seu íntimo verdadeiramente, essa mulher passa a ser motivo de comentários e de maledicência, todos passam a fazer conferência entre conhecidos e desconhecidos . Impiedosamente baseados nas suas próprias avaliações, esquecendo-se,  minhas companheiras, que a verdade está no íntimo e na lealdade. Fidelidade é uma questão geográfica  e ponto de vista de cada pessoa.  É preciso ser forte para não se deixar abater por um censo comum tecido por machismo tão discutido e muitas vezes usado por pessoas que aparentemente têm até um discurso bom em relação a defesa das mulheres mas, na realidade, quando se deparam com suas próprias neuroses da vitimização pegam seus chicotes em forma de teclados, telefone, canetas e  reuniões em grupos de amigos ou conversa de boteco aniquilam com a dignidade feminina. Acreditam no amor idealizado enquanto limitado ao  discurso. Nós mulheres devemos pensar  sobre isso, em  como criamos nossos filhos, em como tratamos dessas questões em salas de aulas,  os educadores em grupos de amigos, em qualquer lugar em  que se forme opiniões. 

 Amigas, se algumas de vocês se encontrar nessa encruzilhada, podem até ser hostilizadas, destratadas mas não fujamos das trincheiras, voemos bem alto e depois mergulhemos no fundo  do rio para buscar o melhor peixe,  que é a liberdade e a igualdade.  Não permitamos ser a Maria Madalena dos tempos modernos  nem  Sakineh Ashtiani, mesmo que os nossos nomes sejam jogados  na internet, rodem de boca em boca, como se a vida fosse uma única  fatia.  Sempre acreditemos no amor e  na família. Respeitando as diferenças.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Beatriz Cannabrava: brava e exemplo de mulher



Tive a satisfação de, no dia 04 de dezembro, conhecer a revolucionária e poeta Beatriz Cannabrava. Trata-se de uma defensora da cultura brasileira e do envolvimento das mulheres na educação e na luta pelos seus direitos e combate à violência.

 Quando meu companheiro Laércio Júlio da Silva marcou o encontro com Beatriz achei que se tratasse de uma mulher com aspecto rude e uma feminista amargurada. Que nada,  encontrei uma mulher doce,  uma mãe apaixonada pelos filhos com nomes indígenas,  feliz no casamento . Em virtude de combate com o  regime militar, juntamente com toda a família  exilou-se e passaram por todos os tipos de sofrimentos, experiência vivenciada que todas as pessoas que militaram contra a ditadura.  Mas durante  nosso diálogo só me passou otimismo e a idéia de uma luta acirrada em prol da mulher. Ao nos despedirmos ,surpreendentemente, ela me entregou um cd de sua autoria intitulado “Viagem Bia Cannabrava”. Porém, viagem mesmo, minha querida companheira, foi conhecer uma mulher incrível,  que me encorajou a continuar a luta em defesas das mulheres. 

Beatriz já foi matéria da Revista VEJA, mas para ser combatida, de forma acirrada,  pelo direitismo dessa famosa revista conservadora e de direita. Ora, nem poderia  esperar-se outra coisa, pois de um lado estava essa grande mulher que enfrentou a ditadura e que depois lutou pela anistia dos presos e exilados políticos,  e de outro, uma revista que odeia o que há de mais patriótico e heróico, como é o caso de nossa Beatriz.

 Meus amigos,  existem muitas Beatrizes, mulheres e homens,  jogadas ao anonimato. Mas essa que conheci encoraja a todas a tirarem as penas,  refazerem-se   para mergulhar no fundo do rio e pescar o melhor peixe, que é o encontro com a liberdade, como nos ensina Fernão Gaivota.

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