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terça-feira, 26 de julho de 2011

É necessário chorarmos por Amy Winehouse aqui no Brasil?

A cantora Amy Winehouse morreu em Londres, neste sábado, dia 23 de julho de 2011. Segundo o site Sky News, o cadáver da cantora foi encontrado em seu apartamento no norte de Londres.

A vida e a carreira de Amy Winehouse foram marcadas por escândalos e consumo de drogas. A partir da descoberta da morte da cantora a mídia brasileira não parou mais de falar sobre o assunto. Curiosamente a Globo News juntou seus melhores jornalistas para debater sobre a morte da cantora britânica. O Brasil parou para discutir essa triste fatalidade. Porque será que a Globo e os outros canais de televisão deram tanta ênfase a esse fato? Será que para segurar mais audiência para as fortunas que fazem em cima das tragédias humanas? Para essa mídia funerária quanto mais trágico, melhor.

Creio eu que não preciso ficar o dia inteiro diante da televisão, na internet ou em nenhum outro tipo de mídia. Basta olhar para os lados quando saio na rua para ver o número de crianças drogadas, consumidas pelo crack e por todos os tipos de drogas. Corpos sem alma. Almas essas que as drogas consumiram.

Quantos jovens brasileiros a nação perdeu para as drogas? Não que não sinta muito. Entristeço-me de ver a morte dessa jovem, mas prefiro continuar me preocupando e chamando a atenção de quem posso chamar, para debatermos a nossa própria realidade. E falarei da realidade de minha própria cidade. Moro num bairro, em Goiânia, da chamada classe média e todas as manhãs quando saio de casa para trabalhar e paro numa padaria ao lado, a primeira cena que vejo são crianças e adolescentes em bando, que passaram a noite nas ruas se consumindo nas drogas. Por um  outro lado, pela contramão da vida, pessoas em seus carros luxuosos, comprando todos os tipos de guloseimas para levar para casa, para alimentar seus filhos, de olhos fechados para essa realidade que vive ao lado. É como se esses bandos fossem invisíveis e não fizessem parte do censo. E esses são os chamados meninos de rua. Triste sinal de fracasso de modelos sociais impostos a nós. 

Toda criança deve pertencer a um lar. E um lar é diferente de uma casa. Dentro de um lar há uma constituição chamada família e a primeira base dessa constituição precisa ser uma proposta chamada Amor. Não o amor idealizado, mas o amor a partir do qual nos propomos todos os dias cuidarmos uns dos outros. 

Quantos jovens que poderiam estar se formando nas universidades para serem médicos, advogados, cientistas, jornalistas, professores etc e estão largados nas ruas sem nenhum futuro. Vidas jogadas fora. E aqueles que ficam diante da TV chorando por aquilo que está de fora da nossa realidade brasileira, preferem cada vez mais levantar os muros de suas casas, colocar cercas elétricas, morar em condomínios cada vez mais cheios de câmeras, investirem mais em tecnologias para segurança, blindarem seus carros, viverem em verdadeiras fortalezas, com câmeras para todos os lados, do que pensar em investir na maior segurança: o cuidado com o futuro das nossas crianças. Será que já banalizamos tudo?  Porque as crianças brilhantes são nossas, mas não nos esqueçamos que as errantes também, pois tenho a consciência de que nenhuma mulher pariu um filho para entregar “nas mãos das drogas”. 

Quantas famílias destruídas pelas drogas temos em nossa volta? Quantas vozes maravilhosas como a de Amy Winehouse se calaram para as drogas?  Antes de nem elas mesmas saberem que tinham tal dom, porque as drogas já fizeram delas mortas vivas.
É necessário que pensemos: quantas “Amy Winehouses” brasileiras perdemos todos os dias anonimamente? Mas em uma sociedade em que os profissionais, que em suas ciências discutem a sociedade, vivem em situações indignas, com baixos salários, desempenhando muitas atividades e se desgastando para sobreviver. Nossos filósofos, nossos sociólogos, antropólogos, desempregados ou ganhando “salários de fome” e sendo destratados, como se suas profissões não servissem para nada. Penso eu, sobre essa realidade, que para termos uma sociedade bem organizada é preciso valorizar nossos pensadores, para que a nossa juventude troque as drogas por um livro do Pablo Neruda e por uma canção do Chico Buarque.
Jucilene Pereira Barros

sábado, 23 de julho de 2011

Meu Araguaia da Guerrilha e do boto rosa



Durante a ditadura militar, vários partidos e organizações de esquerda optaram pelo caminho da luta armada. Tanto nas cidades como no campo, essa "oposição armada" ao regime marcou profundamente a história política recente do Brasil. No caso dos conflitos rurais, o mais importante - e até hoje mais controverso foi à chamada Guerrilha do Araguaia.
Ocorrida no início da década de 1970, a guerrilha levou este nome por ter sido travada em localidades próximas ao rio Araguaia, na divisa entre os atuais estados do Pará, Maranhão e Tocantins (na época, pertencente ao Estado de Goiás). A guerrilha foi organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B), que, desde meados dos anos 1960, já mantinha militantes na região do conflito.
               O objetivo do PC do B era angariar apoio da população local para, a partir do campo, enfrentar a ditadura, derrubá-la, tomar o Estado e fazer a revolução. Antes de definir-se pela luta armada, o partido apostou na estratégia de construção de uma frente ampla democrática contra a ditadura. Essa linha política, entretanto, não eliminou a opção armada.
Embora, até então, as ações armadas mais espetaculares tivessem ocorrido nas cidades. Parte da esquerda revolucionária acreditava que a guerrilha rural também era um passo decisivo rumo à revolução. No plano internacional, não faltavam às referências vitoriosas na China em 1949, com Mao Tsé-Tung, e em Cuba, uma década depois, com Fidel Castro e Che Guevara.
A versão mais aceita dá conta de que a guerrilha, ainda não deflagrada, teria sido descoberta pelos militares através de informações passadas por uma militante do PC do B. Foi assim que, em abril de 1972, o Exército chegou à região à procura dos guerrilheiros, que viviam misturados à população local.
Em razão disso, muitos corpos nunca foram - e possivelmente nunca serão - encontrados. Desde os anos 1980, os familiares dos guerrilheiros mortos vêm lutando, inclusive na Justiça, para que o Exército libere documentos que comprovem a morte dos parentes. Os militares, porém, continuam negando a existência de quaisquer documentos, o que já foi amplamente contestado. O desfecho desta batalha judicial certamente trará novos contornos para a história da ditadura militar no Brasil.
Nos últimos meses muito tem se falado sobre direitos existentes dos documentos da guerrilha. Essa é outra parte para colocarmos essa história bárbara e sangrenta em dia. É um débito da nação com homens e mulheres que deram suas vidas em prol da democracia no Brasil. Hoje essa democracia já esta estabelecida. Marchamos juntos em prol de uma soberania nacional e para isso é necessário que o país exponha toda a sua história, em respeito aos seus cidadãos mortos e as famílias dos mesmos.
Que ninguém esqueça que a guerrilha e toda a ditadura, não matou só os que morreram, os que ficaram também, que fizeram parte dessa atrocidade de alguma forma, como famílias, amigos e companheiros que lutaram juntos e sobreviveram. Os que ficaram não são pessoas comuns. Carregam em si um amargo na garganta ao imaginarem a crueldade que seus entes queridos passaram; a impossibilidade de enterrá-los e a incerteza do que realmente houve. Todos nós fomos violentados de alguma forma.
 Hoje como mulher, faço a minha própria guerrilha ao lado de companheiras e companheiros que comungamos da mesma luta. Em prol de direitos iguais para homens e mulheres. O meu olhar para o mundo perpassa a minha dor e transformo em luta. Baseado nisso não há tempo para discussões vazias e nem para cruzarmos os braços e permitirmos que a ditadura tome conta do nosso país novamente. Me preocupo quando vejo aqueles que estão no poder discutindo seu próprio poder. É uma obrigação de cada um de nós brasileiros não permitirmos nunca mais, algum tipo de ação reacionária.
Esse é o meu olhar, é a minha bandeira.  Queremos todos nós, povo brasileiro, que lutamos por um país soberano, a história da Guerrilha do Araguaia e de toda a Ditadura Militar em aberto, para que todos tenham acesso, inclusive que seja parte de disciplinas escolares.
Meu lindo Araguaia, rio da lenda do boto rosa e da realidade cruel da guerrilha. Da beleza da fauna e da flora amazônica, de homens e mulheres que têm em si a beleza indígena e a história desconhecida para muitos. Da importância do seu solo, testemunho de dor e grito, de valentes e sonhadores revolucionários que escreveram com sangue no teu solo a nossa história. Homens e mulheres que por amor a nossa pátria deram suas vidas. União de três estados, que ajudou a selar a democracia de todo o amado Brasil.

Jucilene Pereira Barros

quarta-feira, 20 de julho de 2011

FEDERAÇÃO DE MULHERES GOIANAS: uma história dedicada à causa da mulher.





       No dia 06 de setembro de 2011 acontecerá no teatro Rio Vermelho do Centro de Convenções de Goiânia,  o seminário MULHER, em parceria com o DCE-Universo e a FDIM/GO. Contaremos com as presenças de   representantes   de algumas federações de mulheres,  como as do Distrito Federal, do Rio Grande do Sul e de São Paulo. As mulheres da FDIM (Federação Democrática Internacional de Mulheres), como Márcia Campos, Gláucia Morelli, Rosa Mônica, Mari Perusso, Jane Ferreira e outras que pecarei em não citá-las, sempre  tiveram a mesma luta. Essas mulheres lutaram pela queda do regime militar, lutaram nas ruas pró movimentos como as diretas já, os caras-pintadas etc. Em Goiás Rosa Mônica, última presidente da FEDERAÇÃO DE MULHERES/GO, levou milhares de mulheres às ruas de Goiânia a favor do impedimento do ex-presidente Collor de Melo.  As representantes da Federação viajaram por vários países, dentre eles Venezuela, Cuba, África do Sul, representando a luta da mulher brasileira e desenvolvendo o feminismo, apoiadas por homens, que também dedicaram suas vidas à  luta pela  democracia e apoio à luta das mulheres. A FDIM, contexto da Federação de Mulheres Goianenses,  conta com o apoio de homens como o ex-presidente Lula, o presidente de Cuba, Fidel Castro, Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul  e de todos aqueles que dedicam suas vidas à paz mundial e ao processo democrático, à soberania dos países e à igualdade dos povos.

     O seminário voltará o olhar sobre a causa feminista, reforçado pela história de lutas dessas mulheres, que estão à frente dessa instituição há 64 anos.  Dentre as palestrantes contaremos com Gláucia Morelli (presidente da CMB -Confederação de Mulheres do Brasil), uma mulher que trabalha incessantemente por uma sociedade igualitária e justa para todos, co a Dra. Gláucia Teodoro dos Reis, presidenta da Semira/GO,  que desenvolve dentre suas atividades as seguintes ações: apoio ao enfrentamento a violência doméstica, exploração sexual das mulheres, apoio à rede de atenção ao enfretamento ao tráfico de pessoas etc, com Carmem Silvia, que ingressou na atividade político-partidária pelas mãos de Sarah Kubitschek, que lhe delegou a responsabilidade de presidir o comitê Jovem JK, no Estado de Goiás e hoje é presidenta da Secretaria de Ação Social de Aparecida de Goiania. Contaremos também  com a nossa  ministra da Secretaria de Politicas para as Mulheres, Iriny Lopes e a presença de representantes dos movimentos étnicos-raciais e também com Teresa Cristina Nascimento Sousa, carioca de nascimento e goiana de coração, formada em direito e militante da luta em prol da mulher e que  ocupa atualmente o cargo de  assessora especial para Assuntos da Mulher da Prefeitura de Goiânia.

    Esse seminário será um encontro para debater e refletir o avanço das mulheres no Brasil. Somos um país em construção, uma democracia jovem, conquistada também pela luta de muitas mulheres, inclusive as não citadas aqui nesse texto. Mulheres que lideraram a luta contra a ditadura, as diretas já, como a nossa companheira Rosa Mônica, aqui de Goiás, que à época do impedimento do então presidente Collor levou mais de mil mulheres às ruas de Goiânia e hoje continua a luta a favor da emancipação da mulher no mercado de trabalho, criando cooperativas e outros meio de inserção, na cidade de Pirinópolis. A Confederação de Mulheres tem  64 anos de luta  e conta com o apoio de muitos homens que apoiam  a causa das mulheres. Não há tempo para discutirmos mais um feminismo excludente, como apartheid entre homens e mulheres. Avançamos muito nos últimos 9 anos, rompendo paradigmas de políticas antigas, abrindo espaço para novas idéias com novos governos, em luta da soberania plena do país. Precisamos continuar a luta. Esta só começou. Esse avanço acontecerá a partir da filosofia libertadora do diálogo entre homens e mulheres, pais e filhos, mestres e alunos. O encorajamento da nossa juventude, a política séria, a partir da universidade, para não continuarmos a perder nossa juventude que se evade das escolas para as drogas e outras delinqüências. Nosso debate será para discutir e encaminhar pessoas em condições igualitárias, como o encorajamento de mulheres para compor cargos políticos e que possamos ter 50% de mulheres ocupando espaço na vida pública, passando por eleições,  no mercado de trabalho, com salários iguais e não nos esquecemos de que somos seres políticos. Discutir a fomentação  das leis já existentes,  mas  desconhecidas por muitas e avançarmos  em novas propostas. Nossas mulheres precisam de mais qualidade de vida, somos um número grande que sustenta as famílias, que sai de casa  para trabalhar, deixando nossos filhos em creches. Precisamos de creches que funcionem duas horas a mais, para que haja tempo das mães buscarem seus filhos. As mulheres precisam de maior acesso às clinicas terapêuticas para tratar homens adoecidos, que maltratam crianças e mulheres, mais apoio às mulheres violentadas, para rompermos com a co-dependência da violência  nas famílias, onde pai e mãe são violentos com os filhos e muitas vezes a roda gira  e os filhos se tornam violentos com os pais.

    A hora é agora, companheiras. Estamos no poder.  O exemplo desse fato é a nossa presidenta Dilma Roussef, que passou por todo tipo de violência no corpo e na alma na luta contra a ditadura militar,  mas não se deixou curvar diante das adversidade. A sua luta perpassou todo tipo de opressão e cremos  que  toda mulher brasileira precisa se apoderar a cada dia.

    Lutamos pela pedagogia da libertação de homens e mulheres, que pelo nosso ponto de vista, passa pelo avanço político, conhecimento das leis e dos direitos, uma sociedade justa, o resto caminhará junto. Um idéia de sociedade justa para todos da Federação de Mulheres Goianas, do Dce/Universo, que tem como presidente José Netho e vice-presidente Samara Cecílio e também de  todos aqueles companheiros que compartilham dessa luta.

    A todos/as somos mais do que agredecidas, contamos com a participação de todos/as após o seminário.

domingo, 17 de julho de 2011

Mulheres e os lobos

As mulheres correm com os lobos ou os lobos correm das mulheres? Eu sou La Loba. Toda mulher è La Loba



Estou só, quer dizer, tenho ódio ao amor que terei pelo desconhecido que está a caminho, um homem cujo rosto e cuja voz desconheço.
Sempre estive duramente acorrentada a essa fatalidade, amor. Muito antes que o homem surja em nossa vida, sentimos fisicamente que somos servas de uma doação infinita de corpo e alma.
O homem é apenas o copo que recebe o nosso veneno, o nosso conteúdo de amor. Não é por isso que o homem me atemoriza, quando aqui estou outra vez, só, em meu quarto: o que me arrepia de temor é este amor invisível e brutal como um príncipe.
Quando se fala em mulher livre, estremeço. Livre como o bêbado que repete o mesmo caminho de sua fulgurante agonia.
A uma mulher não se pergunta: que farás agora da tua liberdade? A nossa interrogação é uma só e muito mais perturbadora: que farei agora do meu amor? Que farei deste amor informe como a nuvem e pesado como a pedra? Que farei deste amor que me esvazia e vai remoendo a cor e o sentido das coisas como um ácido? É terrível o horror de amar sem amor como as feras enjauladas.
É quando o homem desaparece de minha vida que sinto a selvageria do amor feminino. Somos todas selvagens: são inúteis as fantasias que vestimos para o grande baile. Selvagem era a romana que ficava em casa e tecia; selvagens eram as mulheres do harém, as mais depravadas e as mais pudicas; selvagem, furiosamente selvagem, foi a mulher na sombra da Idade Média, na sua mordaça de castidade; mesmo as santas – e Santa Teresa de Ávila foi a mais feminina de todas – fizeram da pureza e do amor divino um ato de ferocidade, como a pantera que salta inocente sobre a gazela. E selvagem sou eu sob a aparência sadia do biquíni, olhando a mecânica erótica de olhos abertos, instruída e elucidada. Pois não é na voluntariedade do sexo que está a selvageria da mulher, mas em nosso amor profundo e incontrolável como loucura. O sexo é simples: é a certeza de que existe um ponto de partida. Mas o amor é complicado: a incerteza sobre um ponto de chegada.
Aqui estou, só no meu quarto, sem amor, como um espelho que aguarda o retorno da imagem humana. O resto em torno é incompreensível. O homem sem rosto, sem voz, sem pensamento, está a caminho. Estou colocada nesse caminho como uma armadilha infalível. Só que a presa não é ele – o homem que se aproxima – mas sou eu mesma, o meu amor, a minha alma. Sou eu mesma, a mulher, a vítima das minhas armadilhas. Sou sempre eu mesma que me aprisiono quando me faço a mulher que espera um homem, o homem. Caímos sempre em nossas armadilhas. Até as prostitutas falham nos seus propósitos, incapazes de impedir que o comércio se deixe corromper pelo amor. Quantas mulheres traçaram seus esquemas com fria e bela isenção e acabaram penando de amor pelo velhote que esperavam depenar. Somos irremediavelmente líquidas e tomamos as formas das vasilhas que nos contêm. O pior agora é que o vaso está a caminho e não sei se é taça de cristal, cântaro clássico, xícara singela, canecão de cerveja. Qualquer que seja a sua forma, depois de algum tempo serei derramada no chão. Os vasos têm muitas formas e andam todos eles à procura de uma bebida lendária.
Li num autor (um pouco menos idiota do que os outros, quando falam sobre nós) que o drama da mulher é ter de adaptar-se às teorias que os homens criam sobre ela. Certo. Quando a mulher neurótica por todos os poros acaba no divã do analista, aconteceu simplesmente o seguinte: ela se perdeu e não soube como ser diante do homem; a figura que deveria ter assumido se fez imprecisa.
Para esse escritor, desde que existem homens no mundo, há inúmeras teorias masculinas sobre a mulher ideal. Certo. A matrona foi inventada de acordo com as idéias de propriedade dos romanos. Como a mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita, muito docilmente a mulher de César passou a comportar-se acima de qualquer suspeita. Os Dantes queriam Beatrizes castas e intocáveis, e as Beatrizes castas e intocáveis surgiram em horda. A Renascença descobriu a mulher culta, e as renascentistas moderninhas meteram a cara nos irrespiráveis alfarrábios. O romancista do século passado inventou a mulherzinha infantil, e a mulherzinha infantil veio logo pipilando.
O tipos vão sendo criados indefinidamente. Médicos produzem enfermeiras eficientes e incisivas como instrumentos. Homens de negócios produzem secretárias capazes e discretas. As prostitutas correspondem ao padrão secreto de muitos homens. Assim somos. Indiquem-nos o modelo, que o seguiremos à risca. Querem uma esposa amantíssima – seremos a esposa amantíssima. Se a moda é mulher sexy, por que não serei a mulher sexy? Cada uma de nós pode satisfazer qualquer especificação do mercado masculino.
Seremos umas bobocas? Não. Os homens são uns bobocas. O homem é que insiste em ver em cada uma de nós – não a mulher, a mulher em estado puro ou selvagem, um ser humano do sexo feminino – o diabo, a vagabunda, a lasciva, o anjo, a companheira, a simpática, a inteligente, o busto, o sexo, a perna, a esportista… Por que exige de nós todos os papéis, menos o papel de mulher? Por que não descobre, depois de tanto tempo, que somos simplesmente seres humanos carregados de eletricidade feminina?

Eis aqui minha querida psicanalista Maria Josè  Pitagoras

segunda-feira, 11 de julho de 2011

FEDIM – Federação Democrática Internacional das Mulheres


Somos uma organização não governamental que une em suas fileiras as mulheres de diferentes setores, crenças e pontos de vista de países diferentes sistemas sociais dos cinco continentes.
O objetivo da Federação Democrática Internacional das Mulheres – FDIM é de que a luta das mulheres não acirre as contradições entre os sexos no meio do povo, muito pelo contrário, visa contribuir com a unidade entre homens e mulheres no sentido de reforçar a participação e a promoção da mulher de forma que ambos se unam.
         No enfrentamento das dificuldades vividas pelo nosso povo e pelos povos irmãos buscando melhores condições de vida para todos com soberania, desenvolvimento e paz, com um mundo mais justo, mais fraterno e igualitário.
Os princípios da FDIM estão estreitamente relacionados. Os direitos das mulheres a um futuro feliz para as crianças só podiam ser alcançados plenamente em um mundo de Paz.
 A FDIM deu novos impulsos ao longo desses 64 anos a muitas organizações femininas nacionais que tem uma tradição de luta em favor dos direitos das mulheres, pela paz, pelas nossas crianças e por melhores condições de vida para nossos povos.
                Atualmente a FDIM conta com 660 organizações filiadas, de 160 países.

Dialogo entre as mulheres, Mitos e Verdades

 



Num tempo onde o regime capitalista nos mostra, através de alguns tipos de mídia, que tudo é bonito e descartável e terá vida útil apenas até a próxima novela da Globo nos  ditar um outro  estilo de vida.
Queremos tudo muito mais rápido. Saímos de casa com um celular na mão, com acesso a internet, um laptop na outra e um pen drive pendurado no pescoço. Inclusive, o mercado sabiamente já criou pen drive cor de rosa e dourado para as mulheres. Se nossa internet for de 5 megas queremos uma conexão de 10 megas, para que tudo aconteça bem rápido.
Há sempre a oferta de objetos mais modernos e assim nos perdemos em meio a tanta modernidade e não sobra tempo para mais nada, nem mesmo para refletirmos sobre o que nos impulsiona a esse estilo de vida, que muitas vezes nos leva as clinicas psiquiátricas em busca de remédios para tratar dos nossos transtornos causados por tanta correria em busca de algo que quando conseguimos rapidamente já não serve mais, e assim, já precisaremos trocar por outro mais bonito, mais moderno. E assim nos vendem também a felicidade prozaquiana. Os laboratórios de medicamentos psiquiátricos nos agradecem com suas contas cada vez mais gordas.
Está na moda ser prozaquiana. Está fora de moda convivermos com nossas próprias frustrações, que são tão naturais quanto nossas realizações.
Se vou ao cinema e tenho a possibilidade de escolher dois filmes  escolho um e descubro ao final da sessão que ele não foi tão bom, me pergunto: se tivesse assistido o outro teria sido melhor? Eis uma frustração. Preciso tomar Prozac por isso?
Não e fácil ser mulher, nunca foi. Mas espero que um dia seja, embora eu ame ser mulher, mas como diz o poeta “toda mulher sabe a dor e a delicia de ser mulher”.
Nessa compra e venda e nessa nossa necessidade de estar na moda, os outdoors, os comerciais de TV e a internet nos vendem também um outro padrão: “temos que ser magras e altas”, uma verdadeira exposição de coxas, seios, bundas e silhuetas perfeitas, desenhadas em verdadeiras oficinas de esculpir gente.
Eis ai as mulheres frutas prontas para serem devoradas bem rápido. E o que não querem jogam fora.  Se abrir a boca, deve falar de emoções, nunca de valores. De fantasias, e não de realidade. Da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: “gata”, “vaca”, “avião”, ou a fruta da estação.
Somos, todas, modelos ou bailarinas? Ou o Chico Buarque está certo quando disse na música “Ciranda da bailarina”, segundo a ironia do próprio Chico e do Edu Lobo: “Procurando bem, todo mundo tem pereba, marca de bexiga ou vacina. E tem piriri, tem lombriga, tem ameba, só a bailarina que não tem. (...)”. Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável. E continua a ciranda capitalista.
Nessa corrida frenética os copos são descartáveis, os pratos são descartáveis, os moveis que compramos para nossas casas estão na moda, mas essa decoração só poderá continuar ate a próxima edição da Casa Cor, ou aparecer alguma arquiteta, com a sua visão clean, dizer que a nossa casa também esta fora de moda. A decoração não é escolhida dentro do nosso estilo, por aquilo que somos e construímos em nossa história, ou pelo que herdamos de nossa família, mas sim por aquilo que o mercado, e a moda, diz ser a “última tendência”.
Creio, companheiras, que o amor é um valor anticapitalista. Todas nós, mulheres, sabemos que melhor que ser desejada, é ser amada. Pensemos sobre isso companheiras. Lembremos que uma sociedade sólida é construída de homens e mulheres. E que sociedade que sonho, e luto por ela, é feita de homens e mulheres em condições igualitárias. Esse não é o mundo em que vivo, mas o mundo com o qual sonho.

Se é utópico, ou não, o que quero, só o tempo vai mostrar. Mas acredito nisso agora. E se, o que somos aquilo que vivemos, também sou mito. Afinal, como lutar e não sê-lo? Somos todos mitos. Só não somos mitos para nossos travesseiros. È ele quem enxuga a lagrima do nosso último choro.
Busquemos um tempo para nós, para nossas famílias, para nossas relações de amigos. Ler livros que falem de coisas belas e que nos remetam ao amor que merecemos, ao respeito que buscamos. Não deixemos que as falácias e as coisas impostas pelo regime capitalista nos tirem do centro daquilo que verdadeiramente nos faz gente.
Creio que o amor não dura só nove meses como dizem, pois minha mãe não me abandonou quando fiz nove meses e nem Deus esqueceu de mim quando fiz meu aniversario de dois anos. O verdadeiro amor é para sempre. A projeção acaba com  a realidade, quando descobrimos aquilo que realmente a gente é. Não comungo com essa idéia. Os meus amores de raízes que já não estão mais aqui são a base do que sou e serão sempre. Os amores que encontrei de amigos também serão para sempre, não importa onde eles estejam. Conheci o verdadeiro amor de mulher  aos 40 e o amarei ate os 200.

Reflexões de Juscilene Pereira Barros



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É tempo de travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

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