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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Quanto custa o amor?



Vivemos, todos nós, em uma sociedade capitalista e, considerando esse fato, em um diálogo com amigos, ousei fazer essa pergunta.
No dia das mães, segundo domingo de maio, o capitalismo trata o amor de mãe da forma muito banal. Vale um vidro de perfume, um microondas, o último modelo de celular, um par de sapatos...
Mas, afinal, quem ganha com isso, o amor ou o comércio?
Se há um amor do qual estranhamente tenho saudades, por não ter vivido é o amor de mãe.
Minha mãe me deixou aos seis anos de idade e eu trago essas saudades brejeiras, dos seus cabelos longos e negros, da sua pele morena e de ser embalada, por ela, na rede.
Hoje em vida adulta, tenho saudades de uma sopa que jamais tomarei...
Quando me sinto perdida em meus labirintos de dores, imediatamente me vem essa lembrança. Um imaginário de criança. Se minha mãe estivesse aqui eu iria até sua casa, me sentaria a mesa e ela me afagaria os cabelos, me olharia nos olhos sem nada me dizer, apertaria as minhas mãos e, em silencio, faria uma sopa com cheiro de amor de mãe, àquele que não existe nas vitrines de nem um shopping.
Em minha infância vivi alguns desses prazeres. Outros não.
Vivi bons momentos embaixo de um ipê amarelo na fazenda em que fui criada, fazendo traquinagens de criança, pegando fruta no pé, indo escondida tomar banho no rio. E estava sempre mergulhada em meus pensamentos de criança, onde se fundiam realidade e a fantasia.
No dia 12 de junho no Brasil comemora-se o dia dos namorados. O capitalismo repete a mesma história. Os melhores restaurantes, uma jóia, um buquê de flores, roupas de grife e tudo que o imaginário cruel  e capitalista puder nos induzir, e nossa conta bancária puder comprar.
Em nossos dias o amor tem ate prazo de validade. Para alguns é só um trampolim para subir na vida.
Sempre que se conhece alguém já se pensa logo no patrimônio que essa pessoa possa ter, no prestígio de que goza na sociedade e, claro, nas vantagens que se pode obter com um possível relacionamento.
Bancar um amor é muito mais. Creio que o amor é muito mais que isso.
Hoje, aos 43 anos posso afirmar que vivi amores duvidosos, sempre comparando o amor ao sofrimento. Sempre que me entreguei ao amor foi com a certeza que o único preço que o amor tem, e cobra, é o próprio amor.
Os momentos de amor, que vivi, guardo em minha memória, e posso afirmar que não foi, em nenhum restaurante caro, nem depois de receber presentes. Mas sim depois de um olhar silencioso, um diálogo em volta de uma mesa, ouvindo e observando a voz da pessoa amada, como se fosse o canto de um rouxinol.
Os melhores momentos foram compartilhados como se fossemos únicos no universo. Eu nem sei se esse café ou a erva que tomávamos era quente ou fria. Eu só sei que tem o sabor das coisas mais sublimes: o verdadeiro amor, longe das regras consumistas do capitalismo.
Mas o amor é meu. Ele só foi direcionado pro outro e depois recolhido, novamente, por mim mesma e guardado em algum lugar do meu ser, lá onde eu me refugio em doces lembranças e incomparáveis dores.
Ah, essas contradições do amor...
Essa sou eu. E o amor e eu sempre andamos lado a lado. Ora em atalhos indefinidos, ora em estradas largas e bem sinalizadas.

Jucilene Pereira Barros

Eu amo minha terra: Ilha do Bananal - Brasil

Um comentário:

  1. Os atos que colocam colorido especial na vida são pequenos, silenciosos, e podem se manifestar a qualquer tempo.
    Não vou esquecer jamais do momento em que você escreveu esse texto...
    Deusa

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