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terça-feira, 29 de março de 2011

A Amélia dos tempos modernos


  


    Hodiernamente a figura da Amélia causa repulsa, tanto nas mulheres quanto nos homens. O arquétipo da mulher dócil, submissa, sentimental, foi no túnel do tempo sendo substituído pelo da mulher alfa, a Lara Croft, “dona de seu próprio destino”, independente, workholic.
    Antes a mulher tinha que fingir que não sentia prazer, hoje ela é obrigada a sentir prazer, a gemer (pero no mucho), até o ponto que deixe o “varão” satisfeito com o bom trabalho. Deve se orgulhar do próprio corpo (mesmo que um tanto retocado), e usar corset, cinta liga,  para se sentir desejável (através dos olhos do parceiro). Ao experiementar a lingerie a pergunta é "será que ele vai gostar?".
     Deve se atualizar intelectualmente, curso e mais cursos, pós gruaduações e mestrados, deve estar sempre de olho nas vitrines, no folhetim da Prada, deve estar sempre na academia, no esteticista, nas colunas sociais.       Nunca pode estar sozinha, pois uma mulher sensível ‘deve amar e ser amada’, e sempre deve estar acompanhada por um homem com qualidades também pré definidas. As amigas reforçam esta postura, censurando as que querem ficar sozinhas, e arranjando encontros com amigos.
     O irônico é que quando a mulher arranja esse parceiro as amigas sentem-se deixadas pela amiga, e começam a rotular o casal, dizendo que ele só pode ser possessivo e ciumento e que não deixa mais a amiga se socializar, “que ela não é mais a mesma”. Sendo que a verdade pode ser outra, inclusive a de que as amigas eram desagradáveis.
O relacionamento também é um ponto de curto circuito. A mulher pós moderna está maquiada, lipoaspirada, retocada, é está  plástica também, possui um hiato dentro de si, na sociedade da informação, ela só possui conhecimento técnico para poder competir com as outras mulheres alfas, mas não possui sabedoria, não desenvolveu sensibilidade, intuição. Não sabe se sentir, se descobrir, ouvir sua alma, seu corpo, não tem coragem de se aventurar nas dores e prazeres da solidão, nos labirintos de si mesma, na sua sexualidade, masturbação é um tabu, descobrir onde e como se tem prazer é algo abominado culturalmente e rechaçado pelas castrações da religião. Ela se torna uma desconhecida para si mesma, forasteira do próprio corpo, exilada dentro de si.
     O macho alfa, o lobo mal, é um tanto bobo, espera dela uma mãe, mas preenche os momentos de angustia, é melhor ficar com ele do que em casa em um sábado a noite, as conversas são tragáveis, os programas dão para aturar, o sexo, normal. O relacionamento começa bem, mas começa se tornar contigencial, ele não liga mais, não a trata como no começo, seu falso orgulho começa a ficar ferido.
     O sexo milagrosamente começa a melhorar, ela começa a projetar nele o divertimento que não possuia consigo mesma, o prazer que não tem consigo mesma, muito menos com a vida. A ansiedade que isso vai gerando lhe tira da vida real, forma-se então uma doce prisão, começasse a pintar mil oásis em um deserto árido, cheio de tédio e dor.
     A paixão se torna avassaladora, fatal, lhe atrapalha a trabalhar, a estudar, se torna uma obssessão. A agressão começa a minar dos dois lados, a luta de egos começa, um cabo de guerrra. Ele se torna cada vez mais rude, ela, cada vez mais arredia. O início do fim, vetores reativos. O fim vem com dor,  maquiagem borrada, mas, quando passa parece algo distante, logo substituído por outra história, muito parecida. Mas a droga vicia e precisa-se de sempre mais, se o próximo não ultrapassar essa dor e  prazer sentido pelo "lance" passado ele não será respeitado, se tiver um mínimo de sensibilidade e compreensão será usado e descartado, porque não causa as sensações doentias, que não inebriam,  não embriagam.
     Onde está o amor aí? O amor ao outro e o amor próprio? Onde está a pós modernidade? A emancipação, a racionalidade?
 Que tal companheiras vencer nós mesmas, nos descobrirmos, relacionarmos com nós mesmas, não nos evitar, ir para as trincheiras, lutar por um mundo melhor, nos politizar, curtir a natureza e dar risada de nós mesmas, e se quisermos ser felizes temos que nos desfazer das máscaras e dos nossos preconceitos. Não importa se somos a Gisele Buchen ou se somos nós mesmas, casadas, solteiras, namorando ,viúvas, bissexuais ou lésbicas. Sejamos, mulheres! Toda a magnitude do ser!

POESIA: DE SER MULHER...

Mulheres
Borboletas
Na infância, lagartas,
oprimidas em seus lares
O pai controla as respirações
Fogãozinho, panelinha, bonecas, cor-de-rosa
Nada de correr sentindo a brisa no rosto, amarrotar o vestido, jogar bola
Na adolescência a consciência da cruz, do corpo curvilíneo, da menstruação
As dores, o humor instável, as cólicas
A vida adulta chega,
E é hora da borboleta voar
Mesmo que ainda não esteja pronta
Deve carregar seu lar, o marido, os filhos, os pecados de Eva, a resignação de Madalena, as lágrimas de Maria
O marido controla os suspiros, gemidos, ambições
Apesar do ser aprisionado ela intui em seu âmago o milagre de ser mulher
Filha, irmã, amiga, amante, esposa, mãe
Céu espesso e negro nos cabelos
Estrelas nos olhos
Brisa noturna nos lábios
O sol no ventre
Toda a natureza concentrada presa na moldura do corpo que aparenta ser frágil
Ser mulher é o fardo e a leveza
A beleza e a fealdade
O receptáculo que recebe sem se vergar
O sangue grosso que pinga , o suor e o suave perfume
A fatalidade e a escolha
É o eterno metaforsear
O des cobrir-se
Gerando vida pelo ventre, pelas mãos, pela boca
através de uma canção que ela canta na alma
serena, sonora, pura e reluzente de amor
 


Kamilly Cordeiro dos Santos
(27/03/2011)

sexta-feira, 25 de março de 2011

A luta contra a caristia continua. As mulheres sabem o quanto custa







Nesses primeiros meses de 2011 fomos todos/as amargamente surpreendidos/as com a suba dos preços de gêneros alimentícios de primeira necessidade. As compras nos supermercados se constituem em angústias para os/as trabalhadores/as. Principalmente o gás, que integra nossa cesta básica, coloca-se lá nas alturas em termos de preços. Os impostos, que tanto o neoliberal governador Marconi Pirillo, de Goiás, prometeu baixar, na verdade os elevou ainda mais, dando conta de mais uma de suas promessas demagógicas de campanha eleitoral.

Para enfrentar esse problema, nós da Federação de Mulheres Goianas, em parceria com a Associação de Donas de Casa de Goiás, com Mobiliza Goiás e Luta pela Cidadania promovemos uma campanha de assinaturas em favor da baixa dos preços dos produtos de alimentação. Conclamamos a todos/as a que assinem o documento no Twitter @mobilizagoias Clique e assine. Pretendemos reunir no mínimo sete mil assinaturas até quinta-feira da semana que vem. Faremos ato de mobilização à frente da Unianguhera no dia 31/03/2011.

Em 1979 o movimento contra a carestia fragilizou imensamente a ditadura militar e ajudou a derrubá-la. Está na hora de retomarmos a luta para derrubarmos a exploração do sangue dos que lutam para produzir riquezas e que depois vêm sua energia escorrer pelos balcões dos que nos roubam. Convidamos ao povo de Goiânia e de Goiás a se somar a essa luta, independente da condição social e do sexo de cada um/a e assinar esse abaixo assinado. Está na hora de desconstruirmos mais um golpe que se arma contra nossa economia.

Contatos comigo, Jucielne Pererira Barros, Presidenta da Federação de Mulheres (celular 062 – 8197 – 4859) e com Kênia (062 – 8452 – 4401).





segunda-feira, 21 de março de 2011

Passou a festa. E agora?




Passaram-se  14 dias que comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Esta data é para refletirmos a trajetória das mulheres que lutaram bravamente pela emancipação feminina. Em todas as áreas da sociedade as mulheres  dedicaram suas vidas a lutas pela emancipação dos oprimidos.  Muitas morreram nas trincheiras ou perderam seus filhos nas guerrilhas ou  mesmo na guerra injusta do capitalismo desumano, que deixa homens e mulheres estressados e deprimidos na busca da sobrevivência. Aliás, é fácil entender que não há  vida plena nesse corre-corre, mas  somente sobrevivência, cuja  palavra, na maioria das vezes, significa o contrário do que diz: na verdade “subvivemos”.  O corre-corre a que nos referimos nos desumaniza nos empurrando para o péssimo comportamento de  atropelarmo-nos uns aos outros ladeiras a baixo,  na tentativa de pormos as  mãos no que nos é imposto pelo marketing do consumo exacerbado. Uma dessas imposições  desumanas é a busca neurótica pela eterna juventude. 


Refiro-me aqui   a três faces de Eva em Gioás:  a política da mulher em Goiás começou com as indígenas das tribos goyases.  Belas mulheres enfrentaram a violência da passagem dos bandeirantes, verdadeiros  “anhangueras” (diabos velhos) que estupravam e matavam. Hoje, vergonhosamente, esse é o  nome da maior avenida de Goiânia. Contudo,  na realidade, os anhangueras estão mais  para diabos velhos – significado real dos exploradores e assassinos bandeirantes - que  estupraram e matararam mulheres e as culturas indígenas. 

A outra face de Eva nasceu da construção de Goiás, quando homens saiam em tropas deixando as  mulheres em casa cuidando dos filhos, defendendo-se dos viajantes que por ali passavam. Muitas escreveram músicas, poesias enquanto seus companheiros exerciam papéis de caçadores, faziam política escondida, pois naquele tempo o voto era negado às mulheres, que não se expressavam em público, cuidavam das feridas dos escravos e os ajudavam a  defender-se do chicote dos capitães do mato,  na realidade, eram vitimas dos invasores das terras brasileiras.

A terceira face de Eva se manifesta com o tempo.  A mulher goiana se modernizou. Quando viajamos para fora do estado ou do país ouvimos o  primeiro comentário referindo-se a beleza das mulheres goianas.  Isso é verdade. Mas precisamos ser muito mais do que bonitas: precisamos mergulhar na transformação política. A ciência confirma que não há transformação de idéias que não passe pelo campo e pela prática políticas:  ocupar nosso papel nas câmaras municipal, estadual  e federal, defender o povo goiano, não só enquanto estado do sertanejo ou pé vermelho,  como dizem por ai, mas como mulheres aguerridas, donas do seu tempo. A mulher está no poder, mas o poder tem que ser conquistado todos os dias. Para que isso aconteça, precisamos sair do nosso comodismo e levantar as bandeiras, dizermos não para os bandeirantes atuais, que  continuam chicoteando os pobres que pegam os ônibus,  às 5 da manhã, que deveríamos  chamar não de ônibus mas de lata de sardinha.  Políticos que representam a classe dominante fazem promessas “tucanadas” e, uma vez no poder, nos violentam barbaramente como os bandeirantes fizeram  com as indígenas. Precisamos dizer não para os abusos participando de cursos e práticas de formação política, formar grupos filosóficos, discutir nossa própria realidade. Pensando e lutando assim, companheiras, é que avançaremos com justiça na construção da face do terceiro rosto de Eva.  É evidente que essa construção faz parte da edificação da sociedade justa do futuro para todos, baseada no  respeito entre homens, mulheres, crianças, jovens e velhos de todas a etnias como pessoas integralmente.

domingo, 6 de março de 2011

08/03/2011 – Dia Internacional da Mulher A Banalização da Beleza

Em tempos de Angelina Jolie, os padrões da beleza feminina sofrem modificações de acordo com a evolução das técnicas utilizadas na manutenção do “estar bela”...
     A exigência da sociedade maximiza a cobrança das mulheres com suas metas pessoais que são quase em sua maioria as mesmas que norteiam os objetivos de maneira coletiva. A necessidade de estar sempre bem vestida, com as roupas da moda, acessórios importados, cabelo liso, curvas acentuadas com ajuda de cirurgia plástica e porque não falar do grande amigo silicone. Em contrapartida, nenhuma dessas exigências é maior do que aquela que soa como um hábito instituído na criação da espécie feminina: Estar MAGRA.
    Diante deste cenário, o acesso a informação, ascensão econômica do país veiculada as demandas do mercado de trabalho onde o grau de instrução e de especialização é cada vez mais avançado em detrimento da competitividade existente, as mulheres precisam mostrar que além de todo um contexto da beleza social, o aprimoramento da intelectualidade também é fator preponderante para a composição do ser MULHER MODERNA:
    O desafio se apresenta ainda maior, pois a capacidade de avaliação desta mulher moderna está ligada a dois aspectos isolados: Bonita ou Inteligente. O critério ser bonita, é retratado como algo absoluto e relevante para o sucesso da mulher, seja como modelo fotográfica ou das cobiçadas passarelas, seja abrindo portas para relacionamentos com pessoas que investem em um belo cartão postal de identificação. E claro que a mulher inteligente acaba que de certa forma sendo rebaixada por esta sociedade machista que por mais que expresse sua admiração por uma grande executiva ou até mesmo pela PRESIDENTA DO PAÍS, revela declaradamente que superioridade pelos feitos masculinos é indiscutível, ou seja, até podemos ser inteligentes, mas nunca em nível de comparação com a capacidade dos homens.
    A questão é a escolha de ter a criticada vaidade, e aperfeiçoar um conhecimento técnico para dele fazer uso enquanto profissional é extremamente complexo para as mulheres modernas. Elas precisam provar a todo o momento que o fato de se estar na “moda” não as rebaixa em pessoas intelectualmente reduzidas, e que o exercício de pensar, filosofar e revolucionar e tão difícil quanto esculpir um corpo sarado com musculação pesada.
    A quebra deste pré-conceito tende a demorar bastante tempo, enquanto isso, o ideal é que as mulheres modernas enfatizem expressar além do charme cultuado com feminilidade, suas idéias e cultura que as tornam belas de verdade.

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sábado, 5 de março de 2011

A Mulher do século XXI

É sabido que a mulher vem conquistando o espaço que, até então, era dado somente aos homens. A mulher do século XXI dita como a mulher moderna consegue hoje, ter sucesso na carreira, ser mãe, esposa, filha etc. Porém, apesar de muitas conquistas ainda há muitas mulheres que sofrem com seus companheiros ou ex-companheiros. É constante nos noticiários, reportagens que abordam acerca de mulheres assassinadas por maridos ou ex devido a ciúmes ou por motivos banais, e isso se dá por ainda vivermos em uma sociedade machista.    
     Mas apesar dessa realidade, nós mulheres temos que continuar nossa luta por igualdade e nosso espaço na atual sociedade. Temos que buscar nossa soberania, mostrar aos homens que  não somos objetos e um ser inferior a eles.
      Aos homens peço que valorizem mais as mulheres, que tentem perceber com mais carinho a atmosfera feminina e que não somos suas rivais e nem vocês nossos donos.
       E a nós mulheres que não aceitemos ser subjugadas pela sociedade e sistema machista. E sim que lutemos dia-a-dia pelos nossos direitos. Capacitando-nos mais e mais, pois é por meio da educação, da qualificação que conquistaremos mais ainda nosso espaço e valor em todos os campos da nossa vida e quem sabe um dia ter de fato respeitados os nossos direitos como mulher e cidadã.    Feliz dia da mulher e que Deus nos abençoe sempre.
    Rita de Cássia Lemos Amoury.
Funcionária Pública Estadual - Professora de Língua Portuguesa e Literatura
Mestranda em Análise e Crítica Literária pela PUC- Goiás.

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