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terça-feira, 29 de março de 2011

POESIA: DE SER MULHER...

Mulheres
Borboletas
Na infância, lagartas,
oprimidas em seus lares
O pai controla as respirações
Fogãozinho, panelinha, bonecas, cor-de-rosa
Nada de correr sentindo a brisa no rosto, amarrotar o vestido, jogar bola
Na adolescência a consciência da cruz, do corpo curvilíneo, da menstruação
As dores, o humor instável, as cólicas
A vida adulta chega,
E é hora da borboleta voar
Mesmo que ainda não esteja pronta
Deve carregar seu lar, o marido, os filhos, os pecados de Eva, a resignação de Madalena, as lágrimas de Maria
O marido controla os suspiros, gemidos, ambições
Apesar do ser aprisionado ela intui em seu âmago o milagre de ser mulher
Filha, irmã, amiga, amante, esposa, mãe
Céu espesso e negro nos cabelos
Estrelas nos olhos
Brisa noturna nos lábios
O sol no ventre
Toda a natureza concentrada presa na moldura do corpo que aparenta ser frágil
Ser mulher é o fardo e a leveza
A beleza e a fealdade
O receptáculo que recebe sem se vergar
O sangue grosso que pinga , o suor e o suave perfume
A fatalidade e a escolha
É o eterno metaforsear
O des cobrir-se
Gerando vida pelo ventre, pelas mãos, pela boca
através de uma canção que ela canta na alma
serena, sonora, pura e reluzente de amor
 


Kamilly Cordeiro dos Santos
(27/03/2011)

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