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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

De Adão e Eva tupi guarani aos links dos tempos modernos


Mitologia guarani refere-se às crenças do povo tupi-guarani da porção centro-sul da America do Sul, especialmente os povos nativos do Paraguai e parte da Argentina, Brasil e Bolívia. 

A figura primária na maioria das lendas guaranis da criação é Iamandu (ou Nhanderú ou Tupã), o deus Sol e realizador de toda a criação. Com a ajuda da deusa lua Araci, Tupã desceu a Terra num lugar descrito como um monte na região do Areguá, Paraguai, e deste local criou tudo sobre a face da Terra, incluindo o oceano, florestas e animais. Também as estrelas foram colocadas no céu nesse momento.

Tupã então criou a humanidade (de acordo com a maioria dos mitos Guaranis, eles foram naturalmente, a primeira raça criada, com todas as outras civilizações nascidas deles) em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu.

 Nhanderuvuçu (Tupã) e considerado Deus supremo na religião primitiva dos índios brasileiros que habitavam as terras tupiniquins atualmente chamadas Brasil. Nhanderuvuçu não tem forma humana, a chamada forma antropomórfica, é a energia que existe, sempre existiu e existirá para sempre, portanto Nhanderuvuçu existe mesmo antes de existir o Universo.

Em abril de 1500, quando os portugueses aqui chegaram, com suas caravelas desbravando e barbarizando a população indígena, começava a saga dos povos indígenas em terras tupiniquins. Ainda não temos de fato o número de povos indígenas extintos e existentes hoje no Brasil, nem mesmo dos índios que se afastaram de suas tribos, trocaram seus nomes por nomes imperialistas, como o meu que seria em tupi guarani Iapã, hoje Jucilene. Tive o privilégio de ter cursado ensino fundamental e o ensino médio dentro da aldeia dos Karajás, tendo como disciplina escolar nossa língua e nossas tradições Karajás, que até pouco tempo era mantida através da tradição da oralidade ou em árvores. Mantínhamos e ainda mantemos nossa cultura viva através de danças, pinturas nos corpos, pintura em cerâmicas, com hábitos alimentares, com pescarias e boas risadas de uma sociedade que é a mais democrática que conheci até hoje.

Mesmo nossa Ilha sendo invadida pela ambição desmedida dos fazendeiros com seus milhões de cabeças de gado nelores branco, violentando nossos povos, com suas garrafas de cachaça e doces levados para as aldeias, para estragarem os dentes das nossas crianças, tirando das entranhas dos indígenas a sua cultura, abusando das mulheres (hábito esse imoral herdado dos portugueses e usado pelos bandeirantes quando por aqui passaram, como o maldito Anhanguera, o “Diabo Velho”), mesmo assim nosso povo se mantém bravamente, sendo estigmatizado por aqueles que são “a mão que balança o berço”. Afagam com a garrafa de cachaça e matam com suas violências.

Num diálogo dos tempos modernos em um link com um amigo, ele me citou o livro ao qual eu já havia assistido ao filme, Enterrei meu coração na curva do rio de Dee Brown (O livro é o eloquente e meticuloso relato da destruição sistemática dos índios da América do Norte), e eu o disse nesse diálogo com meu amigo, que esse pensar mexe com hermenêuticas minhas e com (im) potencialidades as quais jamais poderei mudar. A violência que o meu povo indígena sofreu, sofre e ainda sofrerão, porque o mundo capitalista não perdoa nada e nem ninguém. Ele esta entranhado em todo e qualquer lugar, é o sistema mais violento, mais silencioso, e não perdoa ninguém. Está inserido em nossas convivências diárias, em nossa forma alimentar, dita os nossos amores, as nossas práticas sexuais. Nenhuma guerra mata mais do que o capitalismo. O capitalismo faz a guerra, pois ela gera capital, a maldita guerra, parteira da morte. A guerra do crack, a  guerra do descaso com nossas crianças, a guerra da violência do homem contra a mulher, a guerra da mulher contra outra mulher, a guerra do nosso povo descendente de negros e índios que se voltam  o negro contra o negro, o índio contra o índio, assim esses bandos são regidos pela violência da ambição desmedida do homem hoje em terras brasileiras. 

Como tenho saudades da sociedade Karajás! Nenhum povo é mais socialista do que o povo indígena. Se alguém quiser viver o socialismo de fato mude-se por algum tempo para uma tribo indígena e lá você conhecerá um comunismo que nem um pensador como Marx e outros conseguiram jamais pensar. Creio que se os revolucionários como Che e Fidel tivessem morado por algum tempo dentro de uma tribo indígena, teriam feito a revolução mais rápido. Por isso, meu querido amigo leitor do livro, Enterrei meu coração na curva do rio, eu o digo: Enterrei meu coração as margens do meu Rio Araguaia, da minha Ilha do Bananal, ilha de águas claras, de garças brancas, dos tuiuiús, do pássaro xexéu, de areias claras do Rio Javaé, das águas escuras do Rio Jaburu. Rios das minhas margens, dos meus encantos, margens das minhas dores, dos meus amores e das minhas saudades, algumas vividas, outras não. Margens que me salvaram em minha infância tomando banho no rio com as crianças indígenas e mulheres de rostos inesquecíveis. Por essa história eu vivo e por essa história luto e lutarei sempre, em busca de liberdade, embora saiba que a liberdade é conhecer os cordéis que nos aprisionam.

Nessa ilha vivi, quando perdi meus pais mortos pela Ditadura. Sem que o que sobrou de minha família nada soubesse, me entregaram a Fundação Bradesco. Foi um milagre do Deus Tupã, o Deus Tupã me entregou de volta a minha verdadeira casa, a infância as margens dos rios, as brincadeiras karajás, as danças, a cultura (Como é bom comer peixe no trisseco!). E eu o digo, sempre e sempre direi: Nenhum tipo de Ditadura nunca mais.

Esse texto eu dedico ao meu amigo do link que mexeu em minhas hermenêuticas, e a uma mulher em especial. Uma verdadeira guerreira do Deus Tupã, que nunca a vi mais a conheço. É uma “típica indígena” do meu Tocantins, que veio de lá empurrada pelo descaso dos “coronéis” que ainda lá existem com suas “práticas imorais” ,trazendo consigo como seu único patrimônio, suas duas filhas para Goiânia para que pudessem estudar. Hoje são três mulheres vencedoras e corajosas. Minha querida Delzuita e meu querido amigo do link, que o Deus Iamandu  Nhanderu  Tupã, sempre faça brilhar o sol e a luz indígena que há na alma de vocês. Minhas sinceras admirações karajás por vocês.


 
Jucilene Pereira Barros, verdadeiramente Iapã.

domingo, 28 de agosto de 2011

Moral e Imoral



Infelizmente, ao homem de hoje falta moral e sobra moralismo. Em geral, tais expressões são confundidas e tomadas como tendo um mesmo e único sentido. No entanto, vale lembrar que entre a moral e o moralismo há um verdadeiro abismo.

Nessa instancia as ações humanas são orientadas de fora para dentro. Em vez de racionalidade livre, há uma obrigatoriedade ditada por exemplos ou modelos morais.

O moralismo não incentiva as pessoas a pensar em como agir, mas a agir sem pensar. De fato, usurpando a boa fé de pessoas que abdicam de pensar. Antes de fazer qualquer coisa, aparecem os moralistas.

O individuo moralista parece sempre saber o que é certo, não titubeia nunca. Ademais, sabe o que é certo e bom para si e para os outros, e o que é pior, induz, quando não obriga as pessoas a agirem segundo ele julga correto. O moralista esta presente nas Igrejas deturpando a pregação de Cristo, alienando pessoas com a sua moral sempre usando o verbo “eu”. Quanto mais moralistas os “igrejeiros”, menos morais têm. Só pregam para os outros. Nos grupos sociais e políticos esses moralistas também se fazem presentes.  O moralista é um completo hipócrita. Mas antes fosse somente isso, ele é ainda uma ameaça às pessoas que procuram de forma sensata, ponderada e racional, dirigir suas vidas e ações.

O fato de o moralista levar o discurso moral ao extremo, isto é, ao ponto de reduzi-lo a não racionalidade das ações. Nas instituições educacionais e nas empresas são verdadeiros ditadores e perseguidores. Nas relações afetivas são machistas ferrenhos, trocam o uso da palavra amor pela atitude de controlador.

Colocam em xeque toda a possibilidade de ser ter uma legitima doutrina moral, baseada em princípios e valores flexíveis e raciocinados, e não apenas em sensacionalismos emotivistas ou puritanismos baratos , mas desusados , desrespeitosos e truculentos.

A capacidade raciocinada de o homem, por si próprio decidir o que é certo ou errado, o que é bom ou mau, o que é justo ou injusto, o que é nobre ou vil, o que é virtude ou vicio... Eis o que mais se aproxima da autenticidade moral.

Ora, o meio em moral é a instância na qual a gênese das ações opera no nível da racionalidade, isto é, como algo que orienta o homem a agir de determinada maneira, segundo a razão, a partir de costumes, hábitos e comportamentos individuais ou coletivos. Já no nível moral do moralismo, que é um extremo ou um excesso em relação à justa medida moral, parece que a racionalidade inexiste.

Deixemos os “ismos” dos moralistas de lado porque nada é mais imoral e pornográfico para meus ouvidos do que assistir nas madrugadas as pregações imorais, aos gritos desses pastores imorais como Silas Malafaia e entre tantos outros. Isso sim e pornografia e imoralidade. Indivíduos usurpadores que tiram valores milionários de pessoas que estão em estado de fragilidade extrema. O que é moral e o que é imoral?

Jucilene Pereira Barros

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A mulher moderna e a reatualização do machismo




Podemos começar nossa reflexão discutindo porque as questões relativas às mulheres são tratadas sob o termo de Gênero. O termo Gênero foi um conceito construído socialmente buscando compreender as relações estabelecidas entre os homens e as mulheres, os papéis que cada um assume na sociedade e as relações de poder estabelecidas entre eles.

A sociedade humana é histórica, muda conforme o padrão de desenvolvimento da produção, dos valores e normas sociais. Assim, desde que o homem começou a produzir seus alimentos, nas sociedades agrícolas do período neolítico (entre 8.000 a 4.000 anos atrás), começaram a definir papéis para os homens e para as mulheres.

A função de reprodutora da espécie, que cabe à mulher, favoreceu a sua subordinação ao homem. A mulher foi sendo considerada mais frágil e incapaz para assumir a direção e chefia do grupo familiar. O homem, associado à ideia de autoridade devido a sua força física e poder de mando, assumiu o poder dentro da sociedade. Assim, surgiram as sociedades patriarcais, fundadas no poder do homem, do chefe de família.

As feministas e mulheres ligadas às questões de gênero em geral, reclamam que talvez a maior dificuldade contemporânea na difusão do feminismo no Brasil seja que, em sua maioria, nós mulheres somos machistas.

Mas esta também é a explicação que os homens e as mulheres contra-feministas dão sobre sua aversão ao feminismo. Dizem elas: “o feminismo é um machismo ao avesso”.

      Por isso, duas questões devem ser elucidadas para a compreensão do fato em si, primeiro é necessário definir o que é o machismo e, segundo, por que ocorre a confusão que define feminismo como “machismo invertido”.

      Historicamente, foi através da força, da coerção, das leis de impedimento e da moral religiosa que o machismo se estruturou como ideologia do sistema patriarcal (sistema de organização social e econômico que delegou aos homens o poder econômico e o controle social).

Na verdade, indo direto ao ponto, e resumindo todo o texto que trabalharemos daqui para frente, nós, as “mulheres modernas” somos as mulheres modernamente exploradas e oprimidas, ou seja, novas mulheres, encaixadas na antiga fórmula da opressão. As mudanças e alterações visíveis que decorrem da entrada das mulheres no mercado de trabalho não nos brindou, certamente, com uma nova vida.

É preciso trabalhar o novo modelo de mulher, numa desconstrução de modelos antigos, pois até há pouco tempo a mulher de 50 anos era uma avó que fazia crochê e biscoito para os netinhos. Hoje essa mulher desdobra-se: é bonita, é política, faz mil e uma coisas. Quem somos nós? A vovozinha ou a mulher malhada, aculturada? Mas não nos esqueçamos que estamos tratando da mulher de classe media, pois a mídia nos passa essa imagem. Já a mulher empobrecida, e esmagada pelo sistema, é invisível, vive como se não aparece no senso. Ela passa por todo esse viés, mas as possibilidades dela são outras, ela não é notada. Porém, essa mulher merece um espaço, pois é cidadã, sujeito da sua história, não pode continuar à margem de sua história e sim se tornar sujeito de sua história à frente do seu tempo. Aos 30 anos essa mulher parece ter 60, pois corre atrás de ônibus das 4:00 da manhã, vivendo desconfortavelmente, por isso é preciso que nós mulheres que estamos à frente desses movimentos, cada uma com a sua bandeira, que não nos esqueçamos que essa bandeira é única. É a bandeira da não violência. E que não reproduzamos em nenhum momento o machismo umas contra as outras.  É preciso nos perguntarmos em nossas atitudes diárias: “ Estou sendo machista com minha companheira?” Como eu a trato nos momentos em que o machismo me impõe algo  que  é direito para os homens e não e para as mulheres? Como as mulheres tratam-se, como a mulher vê a outra? É preciso que não tenhamos medo de responder isso para nos mesmas.

 Quantas vezes não usamos os nossos tempos fazendo conferências entre grupos para desclassificar escolhas que nossas companheiras fizeram, como enganos afetivos, em troca de parceiros, de relacionamentos frustrados e fracassados. Aos homens, “cada troca de mulher” é dado a eles o titulo de “o pegador”, na linguagem moderna. Não é feita uma reflexão de que ele é apenas um conquistador de corpos e “um sugador de almas”. A mulher é citada como a desequilibrada, a imatura, a irresponsável, e rotulada como a sedutora, a feiticeira, a promíscua, a traidora, dentre tantos outros rótulos. Creio eu que, na maioria das vezes, o desconhecimento da sexualidade, tanto masculina quanto feminina, cria nos machistas e nas machistas, sentimentos mesquinhos em relação às mulheres que lidam bem com suas questões sexuais. E não nos esqueçamos que o individuo que lida bem com sua sexualidade tem mais possibilidade de gerenciar melhor suas próprias frustrações e uma melhor aceitação das limitações do outro.

Os mitos impostos pelo homem de que o bom funcionamento sexual é feito pelo tamanho do pênis, faz com que ele esqueça que o desejo sexual da mulher está mais ligado ao visual e ao auditivo. O bom funcionamento sexual da mulher e o desejo pelo parceiro começa no decorrer do dia e não no final da noite, com pequenos gestos de sedução e nada é mais atraente para uma mulher do que a admiração. Quando a fêmea humana admira o macho, como no mundo animal, ela começa a cuidar de sua própria imagem em uma dança de feminilidade, que passa pelas pontas dos dedos. Há um jeito ímpar de cada mulher de jogar o corpo, mexer os cabelos, e imediatamente começamos uma dança do acasalamento humano, cuidando melhor da nossa aparência, criando um brilho único no olhar, uma doçura na voz, um gingado no andar, notado somente pelo macho do desejo.

Dança essa que não e somente do corpo, mas que invade também a alma da mulher, perpassando pelas suas relações profissionais, uma melhor doçura em seu ciclo familiar, frisando que, biologicamente alteramos nossos hormônios com mais produção de cerotonina e feromonios, deixando todo o ambiente por onde passamos muito mais florido e sedutor.

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