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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Mulher: da profecia do Cristo a goiana Consuelo Nasser


Quando um profeta especial, filho de um carpinteiro, que passou a vida a ensinar o bem, o perdão e o amor, nos deu a grande notícia de que, afinal, todos somos iguais e, sobretudo, que a mulher teria de deixar de ser um objeto para ser vista e tratada como um ser humano com direitos, deveres e prerrogativas iguais às dos homens.

Este anúncio não foi prontamente entendido, interpretado e posto em prática, pois vinha quebrar a tradição e impor aos homens regras que eles tiveram dificuldades em compreender e em aceitar e em superar. Mas, passados dois mil anos, não surpreende esta reação, pois muitos homens continuam a ver a mulher como um ser subalterno e subserviente, pouco mais que objeto de ornamentação, de prazer e de serviço.

A caminhada de afirmação da mulher como ser humano digno e dignificador continua a ser feita, mas os opositores também continuam a existir. Não se pense que esta guerra pela igualdade de direitos e regalias da mulher no mundo esta vencida. Não está e terá mesmo de continuar a ser um trabalho permanente de todos quantos fazem deste princípio uma bandeira.

Na atualidade, a paridade entre sexos na vida social, laboral e política parece ganhar novo fôlego com os ensaios que se fazem pela via legislativa, impondo alguma proporcionalidade. Não sendo esta a via desejada, ela foi, porém necessária para ajudar a respeitar um direito inequívoco, já que as mentalidades dos homens tardam em mudar naturalmente e a reconhecer que as mulheres são tão capazes, tão diligentes e tão competentes como eles.

A perspectiva romântica da mulher é a flor mais sublime que a natureza deixou na terra pelo seu perfume, pelo seu falar carinhoso e pela sua maneira donairosa de conseguir aquilo a que anseia porque, como dizem os poetas, a mulher assemelha-se a uma rosa que exala perfume até nos momentos de mais terríveis dissabores.

Temos, em definitivo, de entender que a mulher dos nossos dias já se libertou de muitos estigmas e tabus.Com efeito, a mulher de hoje está onde o homem está no mundo acadêmico, na magistratura, na advocacia, na medicina, no ensino, na investigação, na cultura, na ciência, nas artes, no desporto e também na vida política. 

Portanto, é chegada à hora do salto mais em frente, no sentido de a Mulher ser mais acarinhada e mais incentivada para, de mãos dadas com o Homem, comungar dos mesmos ideais de serviço, de disponibilidade e de governabilidade das coisas da vida pública, passando-se em definitivo do sonho à realidade.

Poderia introduzir aqui a discussão de um tema controverso que têm também a ver com a mulher, como por exemplo, a lei do aborto, mas a insensibilidade, a arrogância ou a falta de entendimento dos políticos e religiosos, não permitiu melhores saídas.

A mulher continua a ser elevada aos mais altos pedestais da pureza, da humildade e da simplicidade pela sua maneira de ser, de falar e até mesmo de se apresentar frente aos admiradores da singularidade e da beleza feminina.

Existem mil e um ângulos de observação em que se podem sublimar a importância e o valor da mulher. 

Não nos devemos contentar em ficarmo-nos por um “Dia Internacional”, mas sim continuar a lutar por passar à escala global a busca e a conquista, pela mulher, do seu espaço libertado.

A mulher tem marcado as últimas décadas mostrando que competência no trabalho também é um grande marco feminino. Apesar de ser taxada como sexo frágil, a mulher tem se mostrado forte o bastante para encarar os desafios propostos pelo mercado de trabalho com convicção e disposição.

A mulher, durante milênios, se enxergou através do olhar masculino. Foram os homens quem determinaram nossa forma de ser e agir, nos fazendo acreditar que sempre havia sido assim, e na sua fala nos transmitiam mentiras e preconceitos que se perpetuam até hoje.

E desde então, e cada vez mais, as mulheres abandonaram o galope de cavaleiros andantes, de um ideal meio lírico de libertação, vendedor de ilusões, posicionando-se lado a lado com os homens, na estrada da grande aventura impregnada de desventuras, que desejamos nos leve um dia ao fim da escravidão do mais fraco pelo mais forte.

Por mim, não posso deixar de expressar a minha admiração por todas as mulheres, como Olga Benàrio, Chiquinha Gonzaga, Maria Bonita, Dilma Rousseff, Dandara, a guerreira, entre muitas outras, que contribuíram e contribuem para o empoderamento da mulher na contemporaneidade.

Não deixe que a mídia banalize e diminua a mulher, que na maioria das vezes ainda é mais conhecida pelas suas medidas de cintura e busto do que por sua cabeça e consciência.

Nesse texto quero homenagear Consuelo Nasser, que morreu em 2002 e deixou como legado para mulher goiana o CEVAM, que representa a sua indignação contra todas as formas de violência praticadas contra a mulher, um centro de referência e de luta contra a maior covardia praticada por um homem: a violência.CONSUELO NASSER foi antes de tudo uma mulher a frente do seu tempo, advogada e jornalista, quase um simbolismo, da tenacidade e do inconformismo da mulher brasileira que destoa dos jugos sociais e luta por sua carreira, por sua individualidade como ser humano.

Consuelo Nasser, um marco em prol da luta da mulher. E sua luta perpetua.

Jucilene Pereira Barros

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