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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Uma retomada e muitas vitórias

Da esquerda para a direita: Nilda Martinez, Ana Maria, Rosa Mônica e Jucilene Pereira Barros

Pirinópolis é cidade importante por sua história de violência escrava dos tempos da colonização e de dependência do Brasil à colônia de Portugal e pelo turismo de Goiás. Suas ruas parecem demonstrar os gemidos dos escravos submetidos ao regime do esvaziamento humano de homens e de mulheres. Mas também testemunham a arte e a beleza emanadas das mãos de quem foi arrastado de suas terras africanas  para produzir à força para brancos desumanos. Testemunham, contudo, a vitalidade e o investimento atuais de seu povo, não só do município como do estado de Goiás. 

Nesse último dia 18 de novembro de 2011, Pirinópolis, através de seu povo e de suas autoridades, testemunha outro fato histórico.  Esta cidade histórica recebeu dezenas de mulheres de todo o estado e do Brasil para retomar a construção da Federação de Mulheres Goianas. Essa federação é uma síntese das lutas que se levantam em todo o Brasil desde o enfrentamento da ditadura militar, que tantos males impôs ao Brasil e ao nosso povo, calando-nos, matando nossos/as líderes e promovendo uma das mais estrondosas entregas de nossa soberania aos interesses imperialistas comandados pelos Estados Unidos. A Federação de Mulheres Goianas já atuou contra a ditadura e contra a corrupção neoliberal impetrada por Collor de Melo, tanto que ajudou a puxar o movimento por seu impedimento como Presidente da República. Mas foi autora e diretora de muitos projetos em favor das mulheres e das famílias, como é o caso de sua participação nos mutirões de construção de casas populares para as famílias pobres, de repercussão mundial.

Agora a Federação de Mulheres Goianas se reorganiza em congresso, em Pirinópolis. Por isso devo em primeiro lugar agradecer a companheira Rosa Mônica, Gragueiro Ferreira pelos anos em que atuou à frente dessa instituição, fazendo história. Esse agradecimento se estende a todas às companheiras que com ela atuaram, enfrentando dificuldades terríveis. Certamente identificaremos cada uma e lhes demonstraremos reconhecimento. Pois integram a história desse estado no sentido de não se vergarem à escravidão e à violência, que desagregam  as pessoas e os povos. Agradeço também, e muito, de todo o coração, a acolhida da querida Rosa Mônica e da grande Presidenta da Associação das Mulheres de Pirinópolis, a companheira Nilda Martinez. Vocês foram incansáveis na recepção de alto nível que fizeram de todas as mulheres e autoridades que participaram do ato de abertura e que nos acompanharam durante o desenrolar do congresso. Agradecemos as autoridades do município e do estado pelo apoio de diversas maneiras, que se fizeram presentes ou representadas. Agradeço em especial as presenças das companheiras Ana Maria, que representou a Federação Democrática Internacional de Mulheres e a Confederação de Mulheres do Brasil e a companheira Tereza Bittencourt, que representou a Federação de Mulheres de Brasília e o Ministério da Saúde e a companheira Teresa Cristina Nascimento Sousa, Secretária de Assuntos da Mulher do Município de Goiânia. Registro gratidão às secretarias de governos de vários municípios, aos partidos representados e às igrejas católicas e evangélicas que participaram do ato de abertura do congresso e de muitos de seus atos. Enfim, os agradecimentos se estendem a todas as mulheres e aos homens que participaram do congresso e da refundação dessa federação. 

Em segundo lugar, destaco que a luta continua e é igualmente árdua. O neoliberalismo ainda não acabou e o imperialismo, embora decadente e cambaleante, ainda nos suga. A Pátria Brasileira exige que suas filhas e filhos continuem de pé na luta. Inúmeros projetos de cunho municipal, estadual, federal e mundial pedem nossa participação corajosa e entusiasmada. É fundamental que nos unamos em torno da luta principal. Muitas companheiras serão candidatas por vários partidos nas eleições do ano que vem. Mas a unidade em torno da Federação de Mulheres Goianas pede grandeza e capacidade de superação de tantas dificuldades que nossas mulheres e homens vivem em Goiás. Cada mulher que se filiar aos núcleos municipais e associações, em todos os recantos do estado, é fundamental para essa luta. A opressão e as violências contra as mulheres serão enfrentadas e superadas com muita luta e unidade. Esta é da natureza de nossa luta: integramos a Confederação de Mulheres do Brasil e a Federação Democrática Internacional de Mulheres, que funciona em 130 países. Lá como aqui todas nos uniremos. Cada ato e projeto que construirmos repercutirá em todo o mundo. É hora da unidade e contamos com as mulheres e com os homens. Creio que nossa federação inova no sentido de que elegeu os departamentos ecumênico - com o objetivo de agregar na luta das mulheres as várias religiões das participantes - e o da diversidade - no sentido de agregar as mulheres que sofrem discriminação por sua opção sexual e lutar contra o mal que divide e enfraquece as pessoas. 

Há fotos dos atos congressuais em Pirinópolis, mas as fotos mais importantes são as das luta cotidianas registradas por nossa consciência crescente e pela nossa prática corajosa.  Aqui vale citar frases do discurso do Prof. e Bispo Dom Orvandil, que falou no ato de abertura do congresso. Disse ele: “Diógenes morava em bueiros em Atenas, carregava consigo uma tigela e um lampião. Morava assim e pedia comida para dizer à elite dominante que não era necessário tanta luxúria para ser feliz. Com o lampião em punho caminhava pelas praças em busca de um homem justo e da justiça. Não, de modo algum devemos copiar o filósofo, um dos pais do cinismo, a buscar migalhas doadas pela classe dominante, principalmente do imperialismo de hoje, nem a procurar a justiça como se esta fosse algum fantasma escondido em lugar privilegiado nem nos abatermos com a violência que empurra milhares de famílias para as sarjetas e bueiros. Não, a justiça deve ser construída na luta e sua luminosidade acesa por todas as mulheres e homens que lutam contra as discriminações e a pobreza, causadas pelos que nos roubam e se engalanam na luxúria da injustiça e na concentração de renda e de riquezas. Nossa Federação retoma a luta por justiça e conta com mulheres e homens na construção de uma sociedade sem bueiros como moradia e sem tigelas com porções de esmolas. À luta todas/os por justiça nas praças e em toda a parte”. 

Contem comigo nessa luta,
Jucilene Pereira Barros – Presidenta da FMG.    

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