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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ditadura sobre o corpo da mulher, na Câmara Municipal de Anápolis, não podemos permitir somos donas do nosso corpo e senhoras da nossa história



Quatorze dos 15 vereadores da Câmara Municipal de Anápolis votaram pela retirada de um parágrafo do artigo 228 da Lei Orgânica do Município (Loma), que prevê a realização de abortos, nos casos previstos em lei, pelos hospitais públicos. A proposta de emenda foi apresentada pelo vereador Pedro Mariano (PP) e aprovada em primeiro turno, na quarta-feira (22). Declara o vereador que sancionou a lei, com a seguinte fala “como cristão e como católico que eu sou, sou radicalmente contra o aborto”.

Com certeza o nobre vereador vê o mundo pela fresta de uma fé estreita, sem questionar a quem pertence o corpo da mulher. A discussão sobre a lei do aborto tem sido acirrada. Nos últimos anos foi usada como pano de fundo na campanha do governo Dilma pelo seu adversário político José Serra e outros, na sua tentativa frustrada de tirar votos, junto com os igrejeiros, como o Pastor Silas Malafaia. 

As feministas se resguardam na discussão, vendo por outra vertente, que só pode discutir o corpo da mulher, a própria mulher. È preciso que esse debate seja travado entre as igrejas e os movimentos feministas. É necessário que discutamos os dois argumentos, não uma discussão isolada, pelos nobres vereadores e meia dúzia de leigos. É necessário analisar a partir da perspectiva teórica e metodológica de pensadores como Bourdieu, entendendo assim a religião como ato simbólico do indivíduo. Vendo assim, percebo que esses debates é a necessidade de politiqueiros mal politizados, sem nenhuma profundidade na política da mulher e representantes de igrejas, padres, pastores, bispos e outros, em busca da monopolização da verdade. Até hoje, na história, nessa visão prevaleceu uma verdade: a religiosa. É necessário outros recortes no momento em que se antecede ao 08 de Março, o Dia Internacional da Mulher, em busca de igualdade.

Nas indagações sobre o aborto, uma das discussões centrais é onde começa a vida. Indaga-se o momento exato em que o embrião torna-se um ser humano. O fato é que não dá para ficar girando a roda, o aborto é uma realidade triste na vida das mulheres brasileiras. As mulheres que decidem abortar sentem-se marginalizadas na hora de procurar ajuda em um posto de saúde, usando assim o artifício de que o aborto não foi provocado. Onde paciente tenta enganar o médico e o médico finge que acreditou. 

Alguns representantes da ciência médica têm dúvidas quanto ao exato momento a partir do qual se pode falar em vida humana. Penso eu pelo recorte do pensamento feminista, tendo como principal argumento o direito inalienável da mulher ao próprio corpo, sob a alegação de que o aborto constitui um problema de fórum íntimo e que deve ser lhe dado o direito de escolha quanto ao número e o momento de ter filhos ou não. Creio que cabe ao Estado fornecer atendimento não só nos casos de abortos permitidos pelo Código Penal Brasileiro, evitando assim a clandestinidade do aborto.

 A posição das igrejas não permaneceu estática durante os séculos. As igrejas procuraram transformar-se, a maioria tornaram-se eletrônicas, facilitando assim a exploração da fé humana, do que contribuir com a verdade da ciência social. Não que seja uma regra, mas a maioria das pessoas que estão a frente das igrejas, cospem teorias, algumas vazias, outras não, mas visando benefício próprio.

Quanto aos nobres vereadores de Anápolis, creio eu que temos tantos problemas sociais a serem discutidos, como as crianças e jovens que se evadem das escolas para o crack, a destruição do meio ambiente, a ausência de saúde pública, os modelos de creches que não suprem a necessidade das mulheres trabalhadoras e outros. 

Não podemos permitir que o corpo da mulher seja ditado por homens em pensamentos isolados.

Companheiras é inadmissível permitirmos esses abusos de alguns vereadores e imposições religiosas que nada tem haver com a fé. Creio eu que Jesus Cristo se envergonha profundamente da maioria dos representantes de igrejas, sendo assim, que alguns usam de violência contra mulheres e abusam da boa fé. O amor e a ética só são falácias. Políticos usam do poder para explorar mulheres. E essa forma de lei também é violência. 

Não sei onde começa a vida, eu só sei que as mulheres que praticam aborto tem vida e merecem respeito. E vamos avançar e deixar para trás as discussões banais, que com certeza não deram muitos votos ao José Serra. Melhor assim.

Jucilene Pereira Barros

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