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domingo, 6 de junho de 2010

Mulheres na garagem



 Elas se reuniram por muito tempo na sede da Associação de Moradores, depois foram acolhidas, digamos, na garagem da casa da querida companheira Prof@ Alice. Chamamos de garagem a parte frontal da casa cuja arquitetônica muito comum em Goiás configura espaço amplo, fresco e acolhedor. Pois é, naquele espaço a amiga Alice recebe mulheres do bairro e da circunvizinhança. Uma vez por mês debatemos assuntos de interesse das mulheres, compartilhamos gostosos lanches, aprofundamos cumplicidades e amizades femininas.
Da agenda fazem parte temas sobre problemas da família, do amor como conteúdo de relacionamentos, drogas que atingem nossos filhos e tumultuam as famílias, do diálogo como arte de entendimento no coração familiar, os direitos e  saúde das mulheres etc.  Costuma-se dizer que as mulheres gostam de participar, o grupo cresce a cada mês, porque são ouvidas e respeitadas. Em cada encontro uma palestrante convidada assessora o grupo, provoca reflexões e debate. A participação é animada e democrática. O mérito é de todas, mas quem merece reconhecimento maior é a companheira Técnica de Enfermagem e estudante de Enfermagem Piti. Ela é evangélica, mas demonstra admirado respeito por todas ao não se referir a religião nem mencionar sua fé. Sua postura é a de unir as mulheres e não de polemizar gratuitamente e fragmentar as relações. Admiro e cumprimento a Piti por sua coragem, desprendimento e dedicação. Ela é exemplo de vida e de luta. Funcionária pública trabalha na saúde, dedica-se à família como esposa e mãe e, mesmo assim, consegue disposição e tempo para inspirar e liderar outras mulheres à luta por dignidade e emancipação femininas. Parabéns, minha amiga e companheira Piti.
Vejo na Piti, na Alice e em tantas mulheres heroínas brasileiras a energia bastante para a luta que continua.  Os desafios são grandes e precisam ser enfrentados pelas mulheres, como pessoas importantes no processo transformador da sociedade. Mulheres por todo o Brasil se unem aos trabalhadores e patriotas, aos religiosos, líderes comunitários, sociais, culturais, intelectuais etc na continuação da construção de projeto nacional com distribuição de renda e de riquezas entre todos.
Essa luta ampla, à qual devem se somar as mulheres como as que se reúnem aqui na garagem, abrange a organização das mulheres em entidades femininas que lutam por mais direitos em todo o País. Entidades nacionais estão maduras e enraizadas na sociedade, com projetos e experiências aprendidas desde há décadas. A luta das mulheres deve desembocar na construção de soluções reais que passam pelos legislativos municipais, estaduais, federais e executivos. Cada vez mais mulheres devem ser eleitas vereadoras, deputadas, senadoras, prefeitas, governadoras e presidentes da república.
É evidente que a eleição de mulheres não deve acontecer somente pelo fato de ser mulheres, mas devem se eleger mulheres que se comprometam com a nação, com a democracia, com o desenvolvimento determinado pela distribuição de renda e emprego para o povo. Por isso é fundamental que cada vez mais mulheres entrem na luta e se interessem pelos problemas de todos, avançando para além dos problemas reduzida e nuclearmente familiares. Nesse sentido penso que a garagem da minha amiga Prof@ Alice é emblemática e pode ir muito longe. Simboliza a caminhada que deve se ampliar e elevar a consciência das mulheres na compreensão de que a maioria das soluções dos “seus” problemas passa pela conquista de espaços políticos nos poderes de Estado.
Mais uma vez, parabenizo minhas amigas e companheiras Piti e Alice por sua coragem, dedicação e sensibilidade na reunião e união das mulheres. A garagem pode ser ponto de partida de nossas lutas e não de estacionamento.





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