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sábado, 3 de setembro de 2011

Realmente enxergamos ou estamos cegos?



Ensaio Sobre a Cegueira é um filme de 2008 do diretor Fernando Meireles, baseado no livro de mesmo nome de José Saramago publicado em 2005.
A trama retrata uma epidemia de cegueira de cor branca que atinge as pessoas de forma misteriosa e inesperada. A única a não ser acometida pela moléstia é a esposa de um médico, que desempenhará um papel essencial no decorrer da trama.
A epidemia torna a cidade um caos, o Estado decide então isolar aqueles que são acometidos pela doença, já que não consegue encontrar nem a causa e nem a cura da moléstia. Chegando ao local da quarentena as pessoas percebem que o governo não está lhes dando a assistência necessária, notam que o lugar é sujo, não há comida para todos e nem água limpa. A situação piora a cada dia, pois cada vez mais chegam pessoas cegas e o espaço já não e suficiente para todos.
 Como a vida imita a arte, a arte imita a vida, nesses últimos dois anos, tenho percebido que a população brasileira tem erguido mais bandeiras em meio ao caos em que vivemos.  Falarei então do caos em que vivemos em meu estado. Em algumas cidades no entorno de Brasília e outras, o descaso do governo e total. E como no filme. Há uma “cegueira” provocada pelo próprio modelo de governo perpetuado no decorrer nos últimos anos, que não investe no desenvolvimento educacional e cultural. Não nos esqueçamos de que uma população sem educação e cultura e “cega e vazia”, não conhece seus direitos, não luta por justiça e sem justiça não, saúde, não há cultura, não há educação, não há segurança, enfim não há desenvolvimento social.
Com relação à educação as escolas das quais o governo faz propaganda, não sei onde elas estão. Ele tenta na verdade ludibriar-nos criando esse bônus para o professor como aumento de salário, instigando uma concorrência desleal. Mais um presente indecente para os professores. O professor não precisa de bônus, precisa de salário, porque bônus não o ajudara na hora de aposentar e nem qualifica o ensino Essa é apenas mais uma prática imoral que desqualifica o professor. Outro absurdo é o fato de o professor ter que deixar seu número de telefone disponível para os alunos entrarem em contato com ele na hora que bem quiserem. O professor que trabalha exaustivamente agora e obrigado há ficar 24 horas por dia a disposição. Não sei se o governo sofre da “cegueira branca” ou finge que não vê o caos instalado na rede pública de ensino, que não tem nada para atrair as crianças e os jovens que já vem de suas casas onde nada e atraente. Quantos jovens perdemos todos os anos para as drogas?
 Ao filosofar a respeito de Ensaio Sobre a Cegueira, mergulhamos profundamente em varias cegueiras. Percebe-se no decorrer do filme alguns aspectos corriqueiros da nossa vida: a presença da prostituta, idosos, jovens, marginais, profissionais liberais. Percebemos também alguns conceitos de vida com os quais convivemos com eles todos os dias, algumas palavras ditas e repetidas de geração a geração, alienadoras e sem muita reflexão, “sobre circunstâncias e circunstâncias”. Cada conceito cabe dentro das atitudes em que vivemos. Se estamos em atitudes redimidas e na chamada zona de conforto podemos nos encher de uma falsa moral, subirmos em alguns palanques, tomar a frente de igrejas, discursarmos como educadores na frente de nossos alunos sobre alguns conceitos como traição, fidelidade, honestidade e a chamada moral entre na sociedade.
No filme um detalhe inicial chama a atenção, ao perder a visão as pessoas passam a enxergar apenas um grande vazio branco, na verdade essa perda de visão é uma perda simbólica para refletirmos sobre a insensibilidade, a alienação, a perda de valores e individualismo do ser humano nesse atual século. A visão é um fator essencial na vida de qualquer pessoa que ao perdê-la, perde também a autonomia. Com a pressão do sistema capitalista lutamos ferozmente e individualmente pela sobrevivência, perdemos a capacidade de sentir, de notar o outro e suas necessidades, passamos a agir então como verdadeiros animais nas savanas, onde vencem os mais fortes. E a lei da seleção natural.
No regime capitalista regido por essa prática imoral, aquilo que era para tirar as vendas da cegueira deixa-nos mais cegos ainda. E só observarmos os discursos dos poderosos que retém as fortunas e o poder em seus pequenos grupos, com práticas voltadas para seus próprios bolsos. A imprensa que seria nossa lente para o mundo é usurpadora e controlada pela grande mídia capitalista de direita, como a Revista Veja, a Folha de São Paulo, que têm o verdadeiro monopólio da imprensa em suas mãos e a Globo. Temos também as práticas das novelas ditadas pela Rede Globo de Televisão no sentido de alienar nossas mulheres, jovens e crianças, regem as suas vidas com discussões vazias e distorcidas. Assim continuaremos não só ensaiando, mas sendo cego.
 Nas igrejas a pregação do Cristo foi deturpada, não salva ninguém, só o bolso dos “igrejeiros”, cada vez criam mais fortunas, com malas de dinheiro e alguns ate dentro das cuecas, são verdadeiros reis sem limites, reis que tudo falam e nada dizem, a não ser para seu próprio ego. E onde fica a moral nessa história, onde estão os valores­?
Na sociedade atual faltam-nos modelos e sobram falácias. Quando estamos na atitude redimida, na zona de conforto e fácil, mas e quando estamos em atitudes extremas? Como a prostituta, o velho com a aposentadoria de um salário mínimo, a criança com a escola de ma qualidade.
Nesse regime capitalista o poder público forma o médico nas faculdades federais com o dinheiro de nossos impostos e esse dinheiro não e volta para população como em forma de saúde. Os médicos passam a trabalhar em beneficio próprio, criando verdadeiras fortunas e se esquecendo do juramento. O médico finge que jurou, o regime finge que nada esta acontecendo, só a saúde da população e que não “finge”, esta doente de fato. Os cais estão lotados, os chamados disque saúde estão com suas linhas congestionadas, ou seja, novamente “pagamos a conta” e nada temos em retorno. A cegueira da cegueira.
O filme tramita também pelos labirintos do machismo, quando as mulheres “trocaram” seus corpos por comida e água. As mulheres como verdadeiras heroínas colocaram a moral dentro da gaveta e foram lutar pela sobrevivência da pequena comunidade, explicitando assim a autonomia da mulher pelo seu corpo e pela contramão da vida, o controle do outro indivíduo através do sexo. No decorrer da trama a atriz principal flagra seu marido a traindo com a prostituta, e em meio aos caos instalado pela cegueira, ela teve de buscar reflexões para ela e para as companheiras de grupo, como citar “O que e o corpo agora no meio desse caos, precisamos sobreviver”.
E ai companheiras e companheiros quantos de nos estamos no Ensaio da Cegueira? As pessoas que estão à frente das igrejas que nada fazem por seus fieis, mas sim para suas próprias fortunas e os políticos que lapidam nossos patrimônios criando fortunas, fazendo privatizações.
Nas relações afetivas quantos de nos estamos em relacionamentos falidos por puro comodismo, quantos de nos não busca relacionamentos baseados em interesses financeiros e escusos que nada tem haver com a palavra amor, fazendo trampolim das relações afetivas para mudar de vida? Usando a beleza, o poder de persuadir, fingindo orgasmos, jurando amores que não existem? Em alguns casos por puro comodismo permanecemos nessas situações e esquecemos-nos de “voar como águia”.
 Estamos cegos ou enxergamos?



Jucilene Pereira Barros, em busca de um tempo de justiça para todos sem a cegueira da alienação e com o desejo da teoria libertadora do conhecimento para todos, principalmente para as mulheres, heroínas do meu país e das minhas admirações.

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