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sábado, 23 de julho de 2011

Meu Araguaia da Guerrilha e do boto rosa



Durante a ditadura militar, vários partidos e organizações de esquerda optaram pelo caminho da luta armada. Tanto nas cidades como no campo, essa "oposição armada" ao regime marcou profundamente a história política recente do Brasil. No caso dos conflitos rurais, o mais importante - e até hoje mais controverso foi à chamada Guerrilha do Araguaia.
Ocorrida no início da década de 1970, a guerrilha levou este nome por ter sido travada em localidades próximas ao rio Araguaia, na divisa entre os atuais estados do Pará, Maranhão e Tocantins (na época, pertencente ao Estado de Goiás). A guerrilha foi organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B), que, desde meados dos anos 1960, já mantinha militantes na região do conflito.
               O objetivo do PC do B era angariar apoio da população local para, a partir do campo, enfrentar a ditadura, derrubá-la, tomar o Estado e fazer a revolução. Antes de definir-se pela luta armada, o partido apostou na estratégia de construção de uma frente ampla democrática contra a ditadura. Essa linha política, entretanto, não eliminou a opção armada.
Embora, até então, as ações armadas mais espetaculares tivessem ocorrido nas cidades. Parte da esquerda revolucionária acreditava que a guerrilha rural também era um passo decisivo rumo à revolução. No plano internacional, não faltavam às referências vitoriosas na China em 1949, com Mao Tsé-Tung, e em Cuba, uma década depois, com Fidel Castro e Che Guevara.
A versão mais aceita dá conta de que a guerrilha, ainda não deflagrada, teria sido descoberta pelos militares através de informações passadas por uma militante do PC do B. Foi assim que, em abril de 1972, o Exército chegou à região à procura dos guerrilheiros, que viviam misturados à população local.
Em razão disso, muitos corpos nunca foram - e possivelmente nunca serão - encontrados. Desde os anos 1980, os familiares dos guerrilheiros mortos vêm lutando, inclusive na Justiça, para que o Exército libere documentos que comprovem a morte dos parentes. Os militares, porém, continuam negando a existência de quaisquer documentos, o que já foi amplamente contestado. O desfecho desta batalha judicial certamente trará novos contornos para a história da ditadura militar no Brasil.
Nos últimos meses muito tem se falado sobre direitos existentes dos documentos da guerrilha. Essa é outra parte para colocarmos essa história bárbara e sangrenta em dia. É um débito da nação com homens e mulheres que deram suas vidas em prol da democracia no Brasil. Hoje essa democracia já esta estabelecida. Marchamos juntos em prol de uma soberania nacional e para isso é necessário que o país exponha toda a sua história, em respeito aos seus cidadãos mortos e as famílias dos mesmos.
Que ninguém esqueça que a guerrilha e toda a ditadura, não matou só os que morreram, os que ficaram também, que fizeram parte dessa atrocidade de alguma forma, como famílias, amigos e companheiros que lutaram juntos e sobreviveram. Os que ficaram não são pessoas comuns. Carregam em si um amargo na garganta ao imaginarem a crueldade que seus entes queridos passaram; a impossibilidade de enterrá-los e a incerteza do que realmente houve. Todos nós fomos violentados de alguma forma.
 Hoje como mulher, faço a minha própria guerrilha ao lado de companheiras e companheiros que comungamos da mesma luta. Em prol de direitos iguais para homens e mulheres. O meu olhar para o mundo perpassa a minha dor e transformo em luta. Baseado nisso não há tempo para discussões vazias e nem para cruzarmos os braços e permitirmos que a ditadura tome conta do nosso país novamente. Me preocupo quando vejo aqueles que estão no poder discutindo seu próprio poder. É uma obrigação de cada um de nós brasileiros não permitirmos nunca mais, algum tipo de ação reacionária.
Esse é o meu olhar, é a minha bandeira.  Queremos todos nós, povo brasileiro, que lutamos por um país soberano, a história da Guerrilha do Araguaia e de toda a Ditadura Militar em aberto, para que todos tenham acesso, inclusive que seja parte de disciplinas escolares.
Meu lindo Araguaia, rio da lenda do boto rosa e da realidade cruel da guerrilha. Da beleza da fauna e da flora amazônica, de homens e mulheres que têm em si a beleza indígena e a história desconhecida para muitos. Da importância do seu solo, testemunho de dor e grito, de valentes e sonhadores revolucionários que escreveram com sangue no teu solo a nossa história. Homens e mulheres que por amor a nossa pátria deram suas vidas. União de três estados, que ajudou a selar a democracia de todo o amado Brasil.

Jucilene Pereira Barros

Um comentário:

  1. Por causa do poder, muitas vidas se ceifaram. O que mais me desafia é o porque não dizerem a verdade como neste bloco, entendo tambem a luta dos guerrilheiros, seria muito "covarde" aceitarem a "prisao" do pais. Com este texto posso fazer a minha leitura, o meu entendimento do porque existiram os guerrilheiros. Hasta la vista!

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