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sábado, 30 de julho de 2011

Olhando para as mulheres de Goiás: os três tipos


Os Três tipos da mulher goiana na busca pelo reconhecimento político e social, destacar-se socialmente no estado de Goiás, o papel social desempenhado pela mulher na história do estado. Não é algo fácil.
Especificamente, visa contribuir para o avanço da história enquanto ciência, dentro da compreensão de que uma construção histórica só ganha veracidade quando pautada nas relações de gêneros, e que qualquer informação sobre a experiência histórica feminina só encontra sentido e significado quando relacionada com a informação sobre a experiência histórica masculina que lhe é correspondente.
Para trabalhar a relação de sentido das ações humanas, recorremos ao “método compreensivo” de Max Weber e ao seu conceito de “tipo ideal”.
Esse pensar consta em quatro capítulos. No primeiro, A Mulher em Goiás, buscamos compreender a realidade em que a goiana está inserida e onde explicita-se, através das relações sociais estabelecidas, os três tipos femininos enfocados por esse olhar: a concubina, a matriarca e a intelectual.
Hoje na contemporaneidade, a concubina é citada juridicamente como união estável. No segundo, a mulher como modelo, A Concubina, procuramos destacar as relações sócio-econômicas que permitem considerar a concubina como o tipo ideal de mulher no estado de Goiás na história e na contemporaneidade.
No terceiro, A Matriarca, pretendemos apreender as condições sociais e econômicas da época, as quais resultam na economia de subsistência que, por sua vez, normatiza, para a mulher, o papel de matriarca.
No quarto, A Intelectual, preocupamo-nos em demonstrar os fatores que possibilitaram, para o estado de Goiás, uma vida cultural não muito diferente dos outros estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, etc. e que reservaram, para a goiana, o papel de intelectual.
Esse olhar para a história da mulher em Goiás levou-nos à constatação da participação ativa e significativa da mulher na construção da história do estado de Goiás, e a concluir que a recuperação social e histórica de suas ações abrem novas possibilidades para a construção do saber histórico, oferecendo novos e diferenciados objetos de conhecimento para a história goiana.
O estado de Goiás, por tanto tempo, berço da cultura goiana, cheia de lendas e mistérios, sempre me instigou, principalmente pelo contraste existente entre a exuberância da mulher goiana, é só observarmos nas ruas, nos shoppings, nas universidades e por onde andarmos, mulheres cheias de atitude, do que se fala sobre ela e a modéstia do que sobre elas se escreveu. Nas histórias faladas, contadas, a mulher está sempre presente, sem qualquer neutralidade, exibindo as marcas de sua diferença sexual e o desembaraço de suas ações. No entanto, na restrita historiografia existente, uma pergunta se impõe: onde está a goianiense? Onde se ocultaram suas ações?
Cabe, então, indagar como o fez Joan Scott: “por que (e desde quando) as mulheres são invisíveis como sujeitos históricos, ainda que nós saibamos que elas participaram de grandes e pequenos eventos da história humana?” Aqui em Goiás, num passado recente tivemos grandes mulheres, como a minha antecessora de Federação Rosa Mônica e no presente grandes mulheres ocupam secretarias municipais e estaduais, estão à frente das universidades, doutorandos, mestrandos, desenvolvendo ciências, construindo um novo modelo de política para o estado. Mesmo assim ainda invisíveis.
Apesar de sua invisibilidade, sabemos que a mulher sempre ocupou um espaço de grande importância na história do estado de Goiás. O registro de sua ação, nesse espaço, significa fator de desvelamento histórico, pois que, a continuar oculta, compromete a compreensão das tensões que forjaram a história do estado.
Assim sendo, o objetivo específico que pretendemos atingir, não é o de “incluir a experiência feminina em uma narrativa histórica já elaborada”, mas sim o de interferir na “construção do saber histórico”, na medida em que “a reconstrução histórica das relações de gênero recupera a importância dos papéis femininos como novos e diferenciados objetos de conhecimento que necessariamente interferem na construção de um saber histórico.” Trata-se, pois, de indagar “sobre o sujeito ou sobre os sujeitos responsáveis pelo movimento histórico”, resgatando, para a mulher, seu espaço e sua significação histórica.
O presente olhar, que nasceu da minha atração pela magia das velhas histórias do atual estado do Tocantins, antigo estado de Goiás, contado por homens e mulheres na fazenda onde morei, em frente às fogueiras em noite de lua e na escola rural onde estudei, tem o objetivo de destacar o papel desempenhado pela mulher, não só nessas histórias, como também na construção da sociedade goiana, sociedade instigante, encantadora e até mesmo insólita.
Onde se esconde a mulher goiana, que encontramos em pequenos números nas câmaras municipais, estaduais e federais, mas se voltarmos nossos olhares com ternura, encontraremos grandes mulheres anônimas, lutando por um espaço nas universidades para concluírem seus cursos, esmagadas dentro dos ônibus, em filas enormes nos terminais de ônibus, esmagadas pelo sistema capitalista atual. Esse olhar não é de nem um grande pensador da história antiga como Marx e outros e nem tenho a pretensão de ser. Sou apenas uma mulher que trabalha e olho para outras mulheres que trabalham e estudam e vivem como eu.
Nesse texto quero agradecer todas as mulheres e externar minha enorme admiração pelas heroínas anônimas que vivem nas filas dos ônibus, trabalhando durante o dia e estudando a noite para concluírem seus cursos, as trabalhadoras domésticas, as modernas trabalhadoras da construção civil e as anônimas donas de casa.

Jucilene Pereira Barros

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